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Togachavismo declara Maduro vencedor

Togachavismo é o togalulismo no Brasil

Lawrence Maximus - 23/08/2024 13h36

Maduro segura nas mãos da presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela Foto: EFE/Miguel Gutiérrez

A Suprema Corte da Venezuela apoiou as alegações do presidente Nicolás Maduro de que ele venceu a eleição presidencial do mês passado e disse que as contagens de votos publicadas online mostrando que ele perdeu por uma vitória esmagadora foram forjadas.

A decisão dos juízes daquele país vem na sequência de um recurso sobre alegações de fraude eleitoral. No entanto, as ligações entre os magistrados e o chavismo põem em evidência a falta de independência da mais alta instância judicial do país.

O fato é que essa é a mais recente tentativa de Maduro de conter os protestos e as críticas internacionais que eclodiram após a contestada votação de 28 de julho, na qual o autoproclamado líder comunista buscava um terceiro mandato de seis anos.

A deliberação da Suprema Corte lida nesta quinta-feira (22), em um evento com a presença de altos funcionários e diplomatas estrangeiros, veio em resposta a um pedido de Maduro para revisar os totais de votos que ele alegou – sem evidências – terem sido prejudicados por um ataque cibernético estrangeiro encenado por hackers da Macedônia do Norte.

No entanto, é importante salientar que a mais alta Corte venezuelana está repleta de partidários de Maduro e quase nunca decidiu contra o governo.

Logo, a resolução do tribunal superior, que certifica os resultados, contradiz as conclusões de especialistas das Nações Unidas e do Carter Center que foram convidados a observar a eleição e que determinaram que os resultados anunciados pelas autoridades careciam de credibilidade. Especificamente, os especialistas externos observaram que as autoridades não divulgaram um detalhamento dos resultados de cada uma das 30 mil cabines de votação em todo o país, como fizeram em quase todas as eleições anteriores.

Edmundo González Urrutia foi o único dos dez candidatos que não participou da auditoria da Suprema Corte; fato observado pelos ministros que, em sua decisão, o acusaram de tentar espalhar o pânico no país.

Numerosos governos estrangeiros, incluindo os Estados Unidos, bem como vários aliados de esquerda de Maduro, pediram às autoridades que divulguem o detalhamento completo dos resultados.

Enquanto isso, Maduro chamou a validação da Suprema Corte da Venezuela de sua reeleição de “esmagadora”.

Em suma, togachavismo é o togalulismo no Brasil…

Lawrence Maximus é doutorando em Ciências Políticas pela Pontificia Universidad Católica Argentina. Como cientista político, especializado em Cooperação Internacional, desenvolveu em seu Mestrado pesquisa sobre a UNRWA e os eventos de 7 de outubro, analisando o duplo papel desempenhado por instituições internacionais em zonas de conflito. É embaixador do Yad Vashem (Formação em Holocausto e combate ao Antissemitismo pelo Museu do Holocausto de Jerusalém, Israel).

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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