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Receber chanceler iraniano equivale-se a convidar um terrorista para jantar em família

A presença do Irã no Brics manifesta a legitimação do terrorismo global

Lawrence Maximus - 08/07/2025 16h47

Ministro do Irã, Seyed Abbas Araghchi, é recebido por Lula durante a Cúpula do Brics Foto: Ueslei Marcelino/BRICS Brasil

A chegada da delegação iraniana, liderada pelo chanceler Abbas Araghchi, ao Rio de Janeiro para participar da 17ª Cúpula do Brics reacendeu debates sobre os custos políticos e morais de incluir o Irã no bloco. Para especialistas, a decisão de admitir o Irã no Brics profana o grupo, especialmente em sua tentativa de se posicionar como uma entidade não antiocidental – uma contradição ideológica e geopolítica.

O Irã, sob a liderança teocrática do aiatolá Ali Khamenei, é financiador de grupos terroristas como o Hezbollah, Hamas e de promover a instabilidade regional no Oriente Médio. Ao receber o chanceler iraniano, o Brasil e os Brics parecem ignorar essas questões globais, legitimando um regime cujas práticas foram condenadas pela transparência dos direitos humanos e pelo apoio ao terrorismo.

Esse gesto pode ser comparado a abrir as portas de casa para alguém cujas ações colocam em risco a segurança internacional — ou seja, convidar um terrorista para um jantar em família.

A cúpula deste ano, sediada no Brasil, já enfrentou críticas por estar vazia de lideranças-chave, como Xi Jinping (China) e Vladimir Putin (Rússia). Sem a presença desses líderes, o encontro perde força para tratar de temas urgentes, como conflitos globais e reformas no Conselho de Segurança da ONU. Além disso, a postura do Irã durante o evento reforça as críticas. Em declarações recentes, o chanceler iraniano rechaçou soluções diplomáticas defendidas por outros membros do Brics, como a proposta de dois Estados para o conflito israelense-palestino, evidenciando mais uma vez o abismo ideológico dentro do grupo.

Para complicar ainda mais o cenário, a expansão do Brics com a inclusão de países como o Irã atraiu a atenção hostil dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump anunciou tarifas de 10% aos países do bloco, acusando-os de tentar enfraquecer o dólar como moeda global. Essa retórica protecionista coloca o Brasil em uma posição delicada, forçando o governo brasileiro a equilibrar suas relações entre o Ocidente e seus parceiros no bloco.

Nesse contexto, a decisão de receber o chanceler iraniano não apenas expõe contradições internas do bloco, mas também compromete sua substituição no cenário internacional. Em vez de promover a cooperação e a estabilidade, o Brics corre o risco de se tornar palco para regimes acusados de práticas antidemocráticas e terroristas.

Receber o Irã, portanto, é mais do que um gesto diplomático: é um sinal de que valores fundamentais estão sendo sacrificados em nome de interesses políticos e econômicos duvidosos.

Lawrence Maximus é doutorando em Ciências Políticas pela Pontificia Universidad Católica Argentina. Como cientista político, especializado em Cooperação Internacional, desenvolveu em seu Mestrado pesquisa sobre a UNRWA e os eventos de 7 de outubro, analisando o duplo papel desempenhado por instituições internacionais em zonas de conflito. É embaixador do Yad Vashem (Formação em Holocausto e combate ao Antissemitismo pelo Museu do Holocausto de Jerusalém, Israel).

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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