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Lawrence Maximus - 23/01/2026 15h27

Presidente Donald Trump e a carta fundadora do Conselho de Paz para Gaza assinada Foto: EFE/EPA/GIAN EHRENZELLER

A administração Trump anunciou em janeiro de 2026 a criação do Conselho de Paz para Gaza (BoP, na sigla em inglês), endossado pela Resolução 2803 do Conselho de Segurança da ONU.

Objetivo central: implementar um plano de paz de 20 pontos com foco na reconstrução econômica e no desenvolvimento (visando transformar Gaza em um centro turístico e comercial), em um arranjo interino de dois anos, sem conceder status de Estado soberano à região.

Arquitetura institucional
Comitê Executivo Fundador (Founding Executive Board): órgão de alto nível com figuras como Marco Rubio (EUA), Tony Blair (Reino Unido), Ajay Banga (Banco Mundial) e Benjamin Netanyahu (Israel).

Responsável pela supervisão estratégica, mobilização de capital e relações internacionais. A estrutura ainda contará com o Comitê Executivo de Gaza, o Comitê Nacional de Administração de Gaza (NCAG) e a Força Internacional de Estabilização (ISF).

Mecanismos de financiamento
Membros permanentes do Conselho devem contribuir com 1 bilhão de dólares cada.

Exploração de recursos naturais: a fonte primária prevista é o Campo de Gás Marinho de Gaza. As receitas seriam gerenciadas por uma entidade internacional (provavelmente o Banco Mundial) para evitar desvios.

Benefícios econômicos visados: reconstrução maciça da infraestrutura, atração de investimentos privados e um possível papel de Israel como centro logístico para acesso a Gaza.

Reações e dinâmicas diplomáticas
Apoiadores (35 países): incluem aliados regionais (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito) e parceiros próximos de Trump (Israel, Hungria, Kosovo, Albânia).

Membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU: Reino Unido e França não aderiram. A Rússia aderiu inicialmente e a China ainda não se decidiu. A União Europeia, como sempre, dividida (inicialmente apenas Bulgária e Hungria participam).

Posição da ONU: envolvimento limitado ao contexto específico da Resolução 2803, sem endosso amplo. O principal assessor internacional do presidente Lula, Celso Amorim, adorador do Hamas, rejeitou a adesão do Brasil.

Conclusão
Em última análise, o Conselho de Paz representa uma tentativa de aplicar uma lógica de “paz através da prosperidade” a um dos conflitos mais intratáveis do mundo.

O seu impacto dependerá não só da sua capacidade de mobilizar capital e implementar projetos, mas também de construir uma governança inclusiva, garantir segurança duradoura e navegar nas complexas dinâmicas políticas locais e regionais. O tempo o dirá.

Lawrence Maximus é cientista político, analista internacional de Israel e Oriente Médio, professor e escritor. Mestre em Ciência Política: Cooperação Internacional (ESP), Pós-Graduado em Ciência Política: Cidadania e Governação, Pós-Graduado em Antropologia da Religião e Teólogo. Formado no Programa de Complementação Acadêmica Mastership da StandWithUs Brasil: história, sociedade, cultura e geopolítica do Oriente Médio, com ênfase no conflito israelo-palestino e nas dinâmicas geopolíticas de Israel.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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