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Lula declara a tecnocracia da censura, importada do comunismo chinês

Retórica compartilhada por regimes totalitários como China, Venezuela, Cuba e Coreia do Norte

Lawrence Maximus - 14/05/2025 18h28

Lula e Janja com o presidente da China, Xi Jinping, e sua esposa, Peng Liyuan Foto: Ricardo Stuckert / PR

Em mais um episódio que ilustra o avanço gradual — e cada vez menos dissimulado — do autoritarismo no Brasil sob a gestão do regime Lula, assistimos a uma tentativa constrangedora e reveladora de blindagem pessoal e política. Durante uma recente coletiva de imprensa, o mandatário procurou isentar sua esposa, a socióloga Rosângela da Silva (popularmente conhecida como Janja), de responsabilidade por um incidente diplomático de considerável gravidade. O episódio remonta a um jantar reservado com o presidente chinês Xi Jinping, no qual Janja, em uma manifestação imprudente e ideologicamente carregada, teria declarado que “o algoritmo do TikTok favorece a extrema-direita no Brasil”.

A revelação pública dessa fala — feita por uma testemunha presente — foi seguida por uma tentativa inequívoca de culpabilização do mensageiro, num gesto típico de regimes que punem quem revela a verdade, e não quem comete o erro.

A declaração desastrosa de Janja, além de emblemática, revela uma visão profundamente antiliberal e avessa aos fundamentos da liberdade de expressão. Expressar tal juízo perante o chefe de Estado de uma das potências mais notoriamente repressivas em matéria de controle informacional — a República Popular da China — revela, no mínimo, um despreparo institucional alarmante. Pior ainda, demonstra afinidade com uma lógica de governança digital que privilegia a regulação autoritária da esfera pública em detrimento do pluralismo democrático.

O constrangimento internacional, longe de servir como ocasião para autocrítica ou revisão de diretrizes, foi instrumentalizado pelo governo como oportunidade para avançar em um projeto ideológico latente: o controle estatal sobre as plataformas digitais.

Lula, segundo relatos fidedignos, já articula a importação de um “especialista em regulamentação digital” diretamente da China — país onde a internet é minuciosamente policiada, dissidentes são encarcerados, conteúdos críticos são sistematicamente apagados e a arquitetura digital funciona como aparato de vigilância estatal permanente. A escolha não é neutra nem técnica: é ideológica.

Chame-se “regulamentação”, “moderação” ou “governança digital”; o vocabulário eufemístico não altera o conteúdo autoritário da proposta. O que está em curso é uma tentativa de institucionalização da censura, legitimada por um discurso de combate à “desinformação”, estratégia retórica compartilhada por regimes de perfil totalitário como China, Venezuela, Cuba e Coreia do Norte. Nessas experiências históricas, o conceito de “desinformação” serve como biombo para reprimir vozes dissidentes, eliminar a crítica legítima e consolidar a hegemonia narrativa do Estado.

Portanto, o episódio não deve ser lido como mero deslize diplomático ou descompasso comunicacional, mas sim como sintoma de um projeto mais amplo: a construção de um regime de exceção digital, nos moldes chineses, que ameaça os pilares da liberdade política, da autonomia individual e da pluralidade informacional. Em nome da ordem e da “verdade oficial”, ensaia-se uma nova forma de dominação: a tecnocracia da censura.

Lawrence Maximus é cientista político, analista internacional de Israel e Oriente Médio, professor e escritor. Mestre em Ciência Política: Cooperação Internacional (ESP), Pós-Graduado em Ciência Política: Cidadania e Governação, Pós-Graduado em Antropologia da Religião e Teólogo. Formado no Programa de Complementação Acadêmica Mastership da StandWithUs Brasil: história, sociedade, cultura e geopolítica do Oriente Médio, com ênfase no conflito israelo-palestino e nas dinâmicas geopolíticas de Israel.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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