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Israel, único mediador entre Rússia e Ucrânia

Bennet é o primeiro líder do mundo ocidental a se encontrar com Putin após o início da guerra

Lawrence Maximo - 07/03/2022 15h59

O primeiro-ministro israelense Naftali Bennett recebe um grupo de órfãos da Ucrânia Foto: EFE/EPA/Maya Alleruzzo / POOL

O primeiro-ministro de Israel Naftali Bennett voou secretamente a Moscou, neste sábado (5), e se encontrou com Putin por três horas para tentar mediar o fim do conflito na Ucrânia.

Bennet é o primeiro líder do mundo ocidental a se encontrar com Putin após o início da guerra. Ele tem conversado com o presidente da Ucrânia, Zelenskyi, e com Putin desde que o confronto se instaurou.

Ainda, a intervenção de Bennet foi solicitada, mais de uma vez, pela Ucrânia, para que tente mediar o fim da guerra; uma vez que possui boas relações com ambos os países. É importante ressaltar que o presidente Volodymyr Zelensky é judeu.

Nesse encontro de sábado, Bennett e Putin analisaram a guerra na Ucrânia, incluindo a situação de israelenses e comunidades judaicas como resultado do conflito. Além disso, discutiram as negociações com o Irã. Com esse último enfatizando que Israel se opõe a um retorno ao acordo nuclear de 2015, que é o objetivo das negociações em Viena.

Em uma série de visitas turbulentas, o primeiro-ministro israelense se reuniu com o chanceler alemão Olaf Scholz, após sua reunião em Moscou, e telefonou para o presidente Zelensky. Bennett coordenou sua viagem a Moscou com antecedência com os EUA, França e Alemanha. Também falou com o presidente francês Emmanuel Macron e pôde visitar Paris depois de Berlim. A Turquia também foi atualizada, já que a rota de voo de Bennett estava sobre seu território.

O primeiro-ministro israelense Naftali Bennett e o chanceler alemão Olaf Scholz Foto: EFE/EPA/German Federal Government

O fato é que, desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, Jerusalém vem tentando equilibrar a importância da segurança nacional da coordenação com Moscou, com a mais forte aliança estratégica de Israel com os EUA, e o apoio à democracia e à ordem internacional. Israel condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia por meio do ministro das Relações Exteriores Yair Lapid e pela votação na Assembleia Geral da ONU. No entanto, Bennett tem sido reticente em dizer qualquer coisa sobre a Rússia. Em suas recentes declarações, ele expressou apoio ao povo ucraniano e pediu que negociações sejam realizadas.

Agora Bennett se colocou sob os holofotes fazendo esta viagem. Ele teria tido a bênção da administração dos EUA e é encorajador ver o primeiro-ministro fazendo um esforço onde outros líderes temem pisar. Israel, é claro, tem laços estreitos com a Rússia e a Ucrânia; e Bennett está em uma posição especial para usá-los. Mas a situação é complexa. Até agora, Israel fez um grande esforço para manter um ato de equilíbrio diplomático, fornecendo ajuda humanitária; mas, não militar. No entanto, Israel é claramente um parceiro do Ocidente, que apoia o direito da Ucrânia de manter sua independência e soberania.

Neste momento, ainda é muito cedo para dizer se o esforço de mediação de Bennett se concretizará. Esperamos que sim, pelo bem de todos. Bennett e o governo israelense precisam permanecer cautelosos e garantir que eles não se transformem em outro peão na guerra de Putin. Mas, certamente, o primeiro-ministro deve ser elogiado por intensificar e fazer esforços para acabar com a guerra.

Lawrence Maximo é analista político, professor universitário e escritor. Mestrando em Ciências Políticas Internacionais: Cooperação Internacional, Mestre em Missiologia, Pós-graduado em Ciência Política: Cidadania e Governação e Pós-graduado em Antropologia da Religião. Historiador e Teólogo. Escreve artigos para o jornal Gazeta do Povo e Revista Esmeril.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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