Leia também:
X Caso Henry Borel: A omissão também mata

Entre crime organizado e terrorismo: Os critérios adotados pelos EUA

O PCC possui atividades monitoradas em 12 estados norte-americanos

Lawrence Maximus - 05/06/2026 14h27

Bandeira dos Estados Unidos (Imagem ilustrativa) Foto: Pixabay/Hinotoriko

A definição de “grupo terrorista” pelos Estados Unidos da América não constitui meramente uma construção retórica ou moral, mas sim um instrumento jurídico-burocrático preciso, desenhado para ativar mecanismos específicos de política externa, sanções econômicas e jurisdição penal.

Sob a ótica da ciência política, analisar essa definição exige afastar juízos de valor e focar nos padrões observáveis de como o Estado categoriza atores não estatais, influenciando diretamente a política externa norte-americana e a cooperação internacional em matéria de segurança.

O conceito norte-americano de terrorismo
Segundo a legislação dos Estados Unidos, o terrorismo é geralmente compreendido como o uso premeditado da violência, ou da ameaça de violência, por atores não estatais contra civis ou alvos não combatentes, com o objetivo de influenciar governos, populações ou decisões políticas.

A definição enfatiza cinco elementos centrais:
— Uso intencional da violência;
— Motivação política, religiosa ou ideológica;
— Planejamento prévio;
— Intimidação psicológica além do dano físico imediato;
— Busca de efeitos políticos ou estratégicos.

Sob essa perspectiva, o terrorismo não é analisado apenas pelos atos praticados, mas também pela finalidade estratégica que orienta tais ações, evitando interpretações exclusivamente ideológicas ou normativas.

A classificação de organizações terroristas estrangeiras
O principal mecanismo de designação utilizado pelos Estados Unidos é a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (Foreign Terrorist Organizations – FTO), mantida pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Para que uma organização seja formalmente classificada como terrorista, geralmente são observados três critérios fundamentais:

1. Natureza estrangeira da organização
Deve ser uma organização estrangeira; ou seja, não domiciliada nos EUA.

2. Envolvimento em atividades terroristas
Devem existir evidências de participação, planejamento, financiamento, apoio logístico ou incentivo a atividades enquadradas como terrorismo segundo a legislação norte-americana.

3. Ameaça à segurança nacional
As atividades do grupo devem representar risco aos cidadãos norte-americanos, aos interesses estratégicos dos Estados Unidos ou à sua segurança nacional.

A combinação desses fatores constitui a base jurídica para a designação oficial.

Em última análise, entra em vigor nesta sexta-feira (5) a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Ao anunciar a medida em 28 de maio, o secretário de Estado, Marco Rubio, destacou o elevado potencial de violência, intimidação e desestabilização social dessas organizações.

Segundo o governo norte-americano, o PCC possui atividades monitoradas em 12 estados dos EUA, fator que reforça sua caracterização oficial como uma ameaça transnacional que ultrapassa os parâmetros tradicionais do crime organizado.

Lawrence Maximus é doutorando em Ciências Políticas pela Pontificia Universidad Católica Argentina. Como cientista político, especializado em Cooperação Internacional, desenvolveu em seu Mestrado pesquisa sobre a UNRWA e os eventos de 7 de outubro, analisando o duplo papel desempenhado por instituições internacionais em zonas de conflito. É embaixador do Yad Vashem (Formação em Holocausto e combate ao Antissemitismo pelo Museu do Holocausto de Jerusalém, Israel).

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

Leia também1 EUA: Classificação de PCC e CV como terroristas entra em vigor
2 A quem incomoda chamar o crime pelo nome?
3 Ex-ministro de Lula critica tornar facções brasileiras terroristas
4 Pré-candidatos reagem após decisão dos EUA sobre facções
5 Promotor do caso PCC teme ação dos EUA no Brasil contra facções

Siga-nos nas nossas redes!
WhatsApp
Entre e receba as notícias do dia
Entrar no Canal
Telegram Entre e receba as notícias do dia Entrar no Grupo
O autor da mensagem, e não o Pleno.News, é o responsável pelo comentário.