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Embaixador de Israel à ONU ergue foto de Mahsa Amini, durante discurso do presidente iraniano

"Exorto a comunidade internacional a parar a loucura e impedir que assassinos e antissemitas venham falar aqui na ONU"

Lawrence Maximus - 21/09/2023 12h47

Protesto Mahsa Amini Foto: EFE/Mario Guzmán

O presidente iraniano Ebrahim Raisi é chamado de “açougueiro de Teerã” à luz de seu envolvimento na execução em massa de presos políticos iranianos, na década de 80.

O embaixador de Israel nas Nações Unidas, Gilad Erdan, acenou uma foto de Mahsa Amini, jovem iraniana morta sob custódia da polícia de “moralidade de Teerã” em setembro passado, durante um discurso do presidente iraniano, Ebrahim Raisi, na Assembleia Geral da ONU, na última terça-feira (19).
A foto incluía leitura de texto: “As mulheres iranianas merecem liberdade agora!”.

Erdan e a delegação israelense começaram a sair do plenário depois de exibir a foto. O embaixador foi detido temporariamente pelo pessoal de segurança da ONU, depois de sair do plenário.

– Enquanto o açougueiro de Teerã está falando na ONU e sendo respeitado pela comunidade internacional, centenas de iranianos estão protestando lá fora, gritando e pedindo à comunidade internacional que acorde e ajude-os! É uma vergonha que os embaixadores fiquem ouvindo um assassino em massa. Saí do salão para deixar claro que o Estado de Israel apoia o povo iraniano. Exorto a comunidade internacional a parar a loucura e impedir que assassinos e antissemitas venham falar aqui na ONU – disse Erdan.

Protestos eclodiram em todo o mundo em resposta à morte da curda-iraniana Mahsa (Jina) Amini, de 22 anos, em setembro passado, após sua prisão pela “polícia moral” por usar um “hijab de forma imprópria”. Mas o protesto contra o uso obrigatório do hijab é apenas o símbolo mais visível da repressão.

A nova geração de manifestantes, em todo o país, ecoa as frustrações de gerações passadas: pessoas cansadas de viver sem direitos fundamentais e de serem governadas por quem desconsidera insensivelmente o bem-estar de seu povo. E desde o começo deste mês, protestos ocorreram em várias cidades do Irã para marcar o aniversário da morte de Amini.

A demanda por igualdade desencadeada por mulheres e estudantes se transformou em um movimento nacional do povo iraniano contra um regime totalitário que sistematicamente nega seus direitos, espanca, tortura, mata, viola mulheres, administra mal a economia e leva as pessoas à pobreza.

Por fim, a ONU transformou-se em uma cooperativa partidária, ideológica, antissionista, parceira de ditaduras, aliada de tiranos, com fins exclusivamente financeiros.

 

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Lawrence Maximus é doutorando em Ciências Políticas pela Pontificia Universidad Católica Argentina. Como cientista político, especializado em Cooperação Internacional, desenvolveu em seu Mestrado pesquisa sobre a UNRWA e os eventos de 7 de outubro, analisando o duplo papel desempenhado por instituições internacionais em zonas de conflito. É embaixador do Yad Vashem (Formação em Holocausto e combate ao Antissemitismo pelo Museu do Holocausto de Jerusalém, Israel).

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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