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Conheça os 4 países da “Lista da Vergonha”: Síria

Bashar al-Assad venceu as eleições com suspeitas e denúncias de fraudes

Lawrence Maximo - 09/03/2022 17h44

O presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente da Siria, Bashar al-Assad, em 2018 Foto: EFE/MICHAEL KLIMENTYEV/SPUTNIK/KREMLIN POOL

Na última semana, a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) aprovou, por ampla maioria, uma resolução contra a invasão russa da Ucrânia. Isso, após três dias de discursos de mais de 100 países. O texto “deplora nos mais fortes termos a agressão da Rússia contra a Ucrânia”. Ela é não vinculante, o que significa que, a partir dela, os países não são obrigados a fazer nada. Sua importância, portanto, é política: mostra como a maioria dos países vê a invasão promovida por Moscou. Se você acompanhou meu texto de ontem pode pular os próximos parágrafos e ir para a breve história da Síria.

Boa parte da comunidade internacional acusa a Rússia, de Vladimir Putin, de violar o artigo 2, da Carta das Nações Unidas; que pede aos seus membros para não recorrer a ameaças ou à força para solucionar conflitos. A resolução deixou de “condenar”, como estava inicialmente previsto, para “deplorar nos mais fortes termos a agressão da Rússia contra a Ucrânia”.

Todavia, gostaria de destacar os países que votaram contra a resolução, para entendermos esses atores no cenário da comunidade internacional. Sobretudo, assim como é importante ressaltar as abstenções da China, Índia e África do Sul, aliados da Rússia.

Veja como ficou o resultado:
141 votos a favor (o Brasil votou aqui ao lado de EUA, União Europeia e outros).
5 votos contra (Rússia, Belarus, Coreia do Norte, Eritreia, Síria).
35 abstenções (China, Índia e África do Sul entre outros países).

Portanto, nesse especial, que começou nesta terça e vai até sexta-feira, desejo destacar alguns fatores da geopolítica e religião. Para conhecer melhor os países que votaram contra a resolução da ONU, a favor da invasão russa; são eles: Coreia do Norte, Síria, Eritreia e Belarus; denominados por esse artigo, a “Lista da Vergonha”, dividido em quatro partes, hoje vamos falar da Síria.

BREVE HISTÓRIA
Síria, oficialmente República Árabe Síria, é um país localizado na Ásia Ocidental. O território sírio faz fronteira com o Líbano e o Mar Mediterrâneo, ao oeste; à Turquia, ao norte; ao Iraque, à leste; à Jordânia, ao sul e com Israel, ao sudoeste. É um país de planícies férteis, altas montanhas e desertos, e o lar de diversos grupos étnicos e religiosos. Os grupos religiosos incluem sunitas, cristãos, alauitas, drusos, mandeus e iazidis. Os árabes sunitas formam o maior grupo populacional do país.

O Estado moderno abrange os locais de vários reinos e impérios antigos, como a civilização eblana, do terceiro milênio a.C. Sua capital, Damasco, está entre as mais antigas cidades continuamente habitadas do mundo. Na era islâmica, a cidade se tornou a sede do Califado Omíada e uma capital provincial do Sultanato Mameluco do Egito.

A Síria moderna foi estabelecida após a Primeira Guerra Mundial, durante o Mandato Francês, e foi o maior Estado árabe a surgir na região do Levante, que antigamente era dominada pelo Império Otomano.

Após o colapso do Império Otomano, a Síria obteve independência em 1946. Mas, não teve estabilidade política e enfrentou vários golpes militares.

Em 1958, a Síria uniu-se ao Egito para formar a República Árabe Unida. Os dois países se separaram três anos e meio depois e a República Árabe da Síria foi restabelecida.

A Síria perdeu a região das Colinas de Golã para Israel durante a Guerra dos Seis Dias ou Guerra Árabe-Israelense de 1967.

CENÁRIO POLÍTICO
A estabilidade política ocorreu quando Hafiz al-Assad, do partido socialista Baath, assumiu o poder em 1970 e governou como presidente até sua morte em 2000. Seu filho, Bashar al-Assad, foi então nomeado presidente pelo referendo popular, e novamente para um segundo mandato em 2007.

Em março de 2011, começaram os protestos contra o governo que se transformaram em uma guerra civil. As raízes do conflito são complexas e incluem combate de classe, divisões rurais/urbanas e liberdade política reprimida. Isso explica por que a situação se espalhou tão rapidamente e evoluiu para um conflito de identidade sectária.

O governo respondeu à agitação, inicialmente, com concessões e algumas novas leis, por exemplo, permitindo novos partidos políticos. No entanto, em pouco tempo, recorreu à força militar que se deparou com uma ampla atividade de oposição armada. A batalha atraiu jihadistas estrangeiros e, em junho de 2014, o grupo radical muçulmano Estado Islâmico (EI) estabeleceu seu califado em grandes regiões da Síria e Iraque, com Raca, na Síria, como sua capital.

Em 2016 e 2017, o EI perdeu a maioria de seu território devido à intervenção militar do Ocidente e da Rússia. No entanto, bolsões da presença do EI, inclusive de outros grupos radicais, ainda são encontrados no país. Os principais desenvolvimentos mais recentes são as operações bem-sucedidas do governo e as forças russas que capturaram territórios de rebeldes na província de Idlib no final de 2019 e começo de 2020.

Em julho de 2020, o presidente ditador Bashar al-Assad venceu as eleições com muitas suspeitas e denúncias de fraudes; apesar da crise humanitária e protestos contra as graves condições econômicas.

CENÁRIO RELIGIOSO
A Igreja está presente na Síria desde o tempo do Novo Testamento, quando a conversão de Saulo/Paulo é mencionada no caminho de Damasco (Atos 9). O apóstolo Paulo foi inicialmente parte da Igreja em Antioquia, onde os discípulos de Jesus foram chamados de cristãos pela primeira vez. Ao longo dos séculos seguintes, o cristianismo se espalhou por todas as partes da Síria.

No entanto, no século 7, quando o cristianismo ainda era a religião majoritária naquele país, o califa Omar demitiu funcionários cristãos e seu sucessor obrigou-os a se vestir de forma diferente dos outros.

Um século depois, o califa Abbasid al-Mahdi forçou os cristãos árabes da tribo tannukh a se converterem ao islamismo. Em Homs, os cristãos se revoltaram em 855 d.C. e seus líderes foram crucificados nos portões da cidade.

No século 9, o islã ganhou vantagem, muitas igrejas se tornaram mesquitas. Por volta de 900 d.C., aproximadamente metade da população síria era muçulmana.

Atualmente, os tipo de perseguições são paranoia ditatorial, opressão islâmica, opressão do clã, corrupção e crime organizado, protecionismo denominacional. Mesmo que a ameaça pública do EI tenha diminuído bastante, os cristãos na Síria ainda lutam contra a perseguição diária. Em áreas onde os grupos extremistas são ativos, os líderes de comunidades religiosas históricas são visados. Os grupos de cristãos que costumam evangelizar também estão vulneráveis. Muitos prédios de igrejas foram completamente destruídos por jihadistas que controlam o território e consideram inadmissível qualquer expressão de fé pública. A população cristã da Síria diminuiu devido à guerra civil, mas há muitos muçulmanos que passaram a seguir a Jesus. Isso os torna alvos de hostilidade da família e da comunidade.

Ao longo dos séculos, a Igreja cristã na Síria passou — e ainda passa — níveis consideráveis de perseguição. Devido aos níveis de perseguição, conversão forçada e emigração, os cristãos formam agora menos de 5% da população.

Finalmente, o governo da Síria foi explícito em seu apoio à decisão da Rússia em invadir a Ucrânia. E também ao reconhecer as duas regiões controladas por separatistas apoiadas por Moscou, no leste da Ucrânia, como independentes. Putin é um dos maiores aliados de Assad desde 2011, quando uma sangrenta guerra civil eclodiu na Síria. A participação russa foi tida como fundamental para manter Assad no poder, e a Rússia ainda possui bases militares no país.

Lawrence Maximo é analista político, professor universitário e escritor. Mestrando em Ciências Políticas Internacionais: Cooperação Internacional, Mestre em Missiologia, Pós-graduado em Ciência Política: Cidadania e Governação e Pós-graduado em Antropologia da Religião. Historiador e Teólogo. Escreve artigos para o jornal Gazeta do Povo e Revista Esmeril.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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