Breve anatomia do novo cessar-fogo entre EUA e Irã
Os interesses de Washington e de Jerusalém continuarão alinhados
Lawrence Maximus - 12/06/2026 13h29

O presidente Donald Trump anunciou a suspensão dos ataques militares programados para a noite desta quinta-feira (11) contra o Irã, citando a conclusão de um memorando de entendimento (MOU).
Segundo o presidente, o documento foi aprovado “tanto em conceito quanto em grande detalhe” por uma coalizão regional que inclui EUA, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e outros atores do Oriente Médio.
O texto revela mecanismos de contenção robustos:
— Extensão temporal e geográfica: O cessar-fogo é estabelecido por 60 dias, com aplicação explícita também ao Líbano, visando neutralizar a escalada por procuração.
— Arquitetura nuclear: O documento estabelece uma estrutura preliminar para abordar o estoque de urânio enriquecido do Irã, condicionando o alívio de tensões a verificações futuras.
— Alavancagem contínua: Trump foi categórico ao afirmar que o bloqueio permanecerá rigorosamente em vigor até a finalização do acordo.
A declaração de que uma operação militar contra a Ilha Kharg está “fora de questão por enquanto” não deve ser lida como desarmamento estratégico, mas como uma pausa tática calculada. A manutenção do bloqueio garante que os EUA retenham a alavanca de coerção econômica e militar, preservando a credibilidade da ameaça de força.
A dinâmica EUA-Israel
A reportagem da CNN corroborou que o anúncio presidencial pegou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de surpresa durante sua conversa na noite desta quinta-feira.
Longe de um desentendimento, Netanyahu expressou “apreciação pelo comprometimento de Trump” com um cessar-fogo condicionado a demandas máximas, como a remoção de material nuclear enriquecido.
Em última análise, é importante destacar que Israel não faz parte do memorando de entendimento dos EUA com o Irã. Essa exclusão formal não é uma falha diplomática, mas uma preservação deliberada da autonomia estratégica israelense.
Ao não assinar o MOU, Israel mantém sua liberdade de ação e seu direito inerente à legítima defesa, garantindo que sua segurança não seja terceirizada nem subordinada a cronogramas diplomáticos que o regime iraniano possa manipular.
O acordo terá êxodo? Não sabemos, devido à alta complexidade entre as partes. Vejamos os próximos movimentos.
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Lawrence Maximus é doutorando em Ciências Políticas pela Pontificia Universidad Católica Argentina. Como cientista político, especializado em Cooperação Internacional, desenvolveu em seu Mestrado pesquisa sobre a UNRWA e os eventos de 7 de outubro, analisando o duplo papel desempenhado por instituições internacionais em zonas de conflito. É embaixador do Yad Vashem (Formação em Holocausto e combate ao Antissemitismo pelo Museu do Holocausto de Jerusalém, Israel). |
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