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Neutralidade não é diplomacia; é conivência moral

Lawrence Maximus - 30/01/2026 09h32

Jovem italiana em protesto solidário ao Irã Foto: EFE/EPA/ALESSANDRO DI MEO

Segundo o Centro Internacional de Direitos Humanos no Irã (ICHR), o número de mortos em decorrência da repressão estatal no país já alcança a marca alarmante de 43 mil pessoas. Trata-se de um dado estarrecedor, que deveria provocar reação imediata da comunidade internacional; especialmente de países que se apresentam como defensores da democracia, dos direitos humanos e da dignidade da vida.

Entretanto, o que se observa é um silêncio constrangedor do Brasil no âmbito da ONU. Um silêncio que não é neutro, mas político.

A omissão brasileira, seja por abstenções estratégicas, discursos genéricos ou ausência de condenações claras, acaba funcionando como conivência tácita com um regime teocrático que sistematicamente persegue mulheres, dissidentes políticos, minorias religiosas e opositores do governo.

Historicamente, o Brasil construiu sua política externa sob o discurso do multilateralismo e da defesa dos direitos humanos. Contudo, na prática recente, esse princípio tem sido seletivo. Condena-se com rapidez regimes politicamente inconvenientes, mas fecha-se os olhos quando as violações partem de governos alinhados ideologicamente ao chamado “Sul Global” ou ao eixo antiocidental. O Irã é um exemplo claro dessa incoerência moral.

Do ponto de vista conservador, essa postura é profundamente problemática. Direitos humanos não podem ser relativizados por conveniências diplomáticas ou alinhamentos ideológicos. A vida humana possui valor intrínseco, independentemente de fronteiras, religião ou regime político. Ignorar a morte de dezenas de milhares de iranianos é trair esse princípio fundamental.

Além disso, a omissão brasileira enfraquece sua credibilidade internacional. Um país que se cala diante de execuções em massa, repressão violenta e terrorismo de Estado perde autoridade moral para discursar sobre democracia, paz e justiça em outros contextos globais.

Diante dos dados apresentados pelo ICHR, o mínimo esperado do Brasil seria uma posição clara, firme e pública na ONU: condenando o regime iraniano, exigindo investigações independentes e defendendo sanções internacionais contra os responsáveis. O silêncio, neste caso, não é diplomacia — é abandono moral.

Se o Brasil deseja ocupar um lugar de respeito no concerto das nações, precisa compreender que neutralidade diante da barbárie não é virtude, mas falência ética.

Lawrence Maximus é cientista político, analista internacional de Israel e Oriente Médio, professor e escritor. Mestre em Ciência Política: Cooperação Internacional (ESP), Pós-Graduado em Ciência Política: Cidadania e Governação, Pós-Graduado em Antropologia da Religião e Teólogo. Formado no Programa de Complementação Acadêmica Mastership da StandWithUs Brasil: história, sociedade, cultura e geopolítica do Oriente Médio, com ênfase no conflito israelo-palestino e nas dinâmicas geopolíticas de Israel.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.
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