Os donos da voz alheia
O STF não está acima da democracia: está se colocando contra ela
Juliana Moreira Leite - 30/06/2025 09h31

Era uma vez um país onde o Supremo Tribunal Federal, instituição criada para proteger a Constituição, resolveu subvertê-la em nome de uma moral própria — fluida, seletiva, autoritária. Ali, as togas perderam o pudor e abraçaram a fantasia de que proteger a democracia seria calar vozes, limitar opiniões, e tratar a crítica como crime. Um país onde juízes não mais interpretam a lei, mas a moldam como bem querem, num espetáculo de vaidades disfarçado de jurisprudência.
E então veio a ministra Cármen Lúcia, com sua retórica embebida em desprezo e altivez, para cravar a frase: o povo brasileiro seria composto por “pequenos tiranos soberanos”. Eis a projeção definitiva — não é o povo que tiraniza, é a Corte que teme ser confrontada. O problema não são as fake news, são as verdades inconvenientes que escapam ao controle da narrativa oficial, verdades que jornalistas independentes, cidadãos atentos, ousam expor. O STF virou censor, não guardião da liberdade.
Neste teatro jurídico de grotescos, não se combate o erro — se cala o dissenso. O STF não está acima da democracia: está se colocando contra ela. E, ao tentar suprimir o conteúdo dos usuários como eu, está apenas confirmando seu pavor do povo que diz representar. Quando um tribunal teme o som da rua mais do que o silêncio do arbítrio, o problema já não é mais jurídico — é existencial.
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Juliana Moreira Leite é jornalista especialista em cultura, escritora e curiosa. Nesse espaço vai falar sobre assuntos da atualidades sob a sua visão. |
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