Leia também:
X Vorcaro, o Banco Central e os ataques virtuais

Opinião à venda, consciência em liquidação

Eu e Rony Gabriel não somos heróis, mas, não aceitamos dinheiro, pois não somos corrompíveis

Juliana Moreira Leite - 12/01/2026 10h10

Daniel Vorcaro, Juliana Moreira Leite e Rony Gabriel Foto: Divulgação/ Print YouTube Pânico Jovem Pan/Print YouTube Inteligência Ltda

Escrevo como quem esfrega o pano sujo no centro da sala; não para chocar, mas porque o cheiro já tomou a casa inteira. O escândalo da compra de opiniões, essa indústria paralela na qual influenciadores de direita foram alugados para questionar o Banco Central do Brasil e fabricar a narrativa de perseguição ao Banco Master, não foi um tropeço ocasional do debate público. Foi um método. Um enredo pago em parcelas, com roteiro pronto e consciência terceirizada.

Criou-se a fábula do banco injustiçado enquanto a engrenagem rangia por trás. E quem ousasse perguntar “quem paga?” virava inimigo da semana.

Nesse cenário, eu e Rony Gabriel entramos como o erro de sistema que ninguém conseguiu depurar. Não porque sejamos heróis — heróis são uma fantasia infantil —, mas porque recusamos o dinheiro. Não somos corrompíveis, e isso, num mercado de opiniões precificadas, é o maior dos escândalos. Bagunçamos o arranjo ao dizer não; ao insistir em perguntar; ao não aceitar a cartilha pronta. Quando o script exige unanimidade, a divergência vira crime moral. Quando o Pix dita o tom, o silêncio comprado vira virtude.

Houve, ainda assim, quem não deixasse a história morrer. O trabalho meticuloso e incômodo de Malu Gaspar fez o que o jornalismo faz quando se lembra de si mesmo: seguiu o dinheiro, desfez as cortinas, suportou o ódio. E a equipe da Revista Oeste insistiu quando o cansaço parecia a estratégia do poder.

Do outro lado, o Centrão exibiu sua falência moral com a naturalidade de quem já desistiu de qualquer verniz; Dias Toffoli e Alexandre de Moraes surgem como símbolos de um sistema confortável com a própria opacidade. E os influenciadores — tantos, ruidosos, indignados sob encomenda — todos na folha de pagamento de DV, confirmaram o que sempre se soube: quando a opinião vira produto, a verdade vira sobra.

No fim, o que resta não é a dúvida honesta, mas a certeza cínica de que, aqui, tenta-se comprar até o barulho. E quando o barulho não se vende, chamam de perseguição.

Juliana Moreira Leite é jornalista especialista em cultura, escritora e curiosa. Nesse espaço vai falar sobre assuntos da atualidades sob a sua visão.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

Leia também1 Vorcaro, o Banco Central e os ataques virtuais
2 Master: Prioli diz que nunca foi contratada para defender banco
3 Irã à beira do caos
4 Galípolo e diretores do BC se reunirão com presidente do TCU
5 8 de janeiro: A crônica de um país sequestrado pela narrativa

Siga-nos nas nossas redes!
WhatsApp
Entre e receba as notícias do dia
Entrar no Canal
Telegram Entre e receba as notícias do dia Entrar no Grupo
O autor da mensagem, e não o Pleno.News, é o responsável pelo comentário.