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O voto dos cúmplices

Se o Estado não reconhece os monstros como tal, se opta por acolhê-los enquanto deixa as vítimas sozinhas com suas dores, então estamos falidos

Juliana Moreira Leite - 07/07/2025 09h32

(Imagem ilustrativa) Foto: Pixabay

Eles dizem que se preocupam com os pobres, com os marginalizados, com os que sofrem. Mas, quando chega a hora de decidir entre a vítima e o algoz, eles escolhem o algoz — com a convicção fria de quem acredita que todo crime é um produto da sociedade, nunca do indivíduo.

A Câmara aprovou uma emenda de Marcel van Hattem endurecendo penas para crimes hediondos. Parece óbvio, civilizatório, moralmente elementar. Mas o PSOL votou inteiro contra. Cinquenta petistas também. Cinquenta. E não estamos falando de reformas fiscais ou disputas sobre orçamento — estamos falando de estupro, chacina, latrocínio. Estamos falando de sangue real.

Eu tive amigas assassinadas. Uma delas foi esfaqueada por um homem que saiu da cadeia depois de sete anos. Sete. Para eles, isso é justiça. Para mim, é cinismo institucionalizado. E quando leio o nome desses deputados que votaram contra uma lei que simplesmente tenta manter assassinos presos por mais tempo, eu não vejo políticos. Eu vejo cúmplices. Vejo gente que jamais precisou consolar uma mãe de luto ou identificar o corpo de uma amiga no IML. Que nunca teve que ouvir alguém chamar de “ressocializado” o homem que destruiu uma vida.

Há algo de profundamente doente nessa crença redentora de que o criminoso é sempre uma vítima do sistema. Não é. Às vezes — com mais frequência do que os iluminados da esquerda gostam de admitir — ele é apenas um monstro. E se o Estado não reconhece os monstros como tal, se opta por acolhê-los enquanto deixa as vítimas sozinhas com suas dores, então estamos falidos. Não politicamente — moralmente. E não há emenda que conserte isso.

Juliana Moreira Leite é jornalista, apresentadora e comentarista. Aqui você vai ver o Brasil como ele é, não como tentam vender.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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