O teatro de Erika: Identidade como escudo, vaidade como projeto
Enquanto posa como símbolo de ruptura e representatividade, age como caricatura de si mesma
Juliana Moreira Leite - 14/07/2025 09h36

Erika Hilton, esse espetáculo contínuo de barulho e maquiagem, parece saída de uma ficção mal editada: uma personagem mais preocupada com os reflexos que causa do que com as causas que abraça.
Enquanto posa como símbolo de ruptura e representatividade, age como caricatura de si mesma — contratando dois maquiadores como assessores parlamentares, em meio a um país que sangra por falta de professores e médicos. Uma performance cuidadosamente desenhada para redes sociais, onde a vaidade e o vitimismo dançam de mãos dadas.
No centro dessa narrativa fabricada está uma ONG que ela mesma preside, beneficiada por verbas públicas — um círculo fechado de prestígio autofinanciado, legitimado pelo medo coletivo de se dizer o óbvio. Porque qualquer crítica à sua conduta política é rapidamente reembalada como transfobia, uma blindagem retórica que desarma até os mais bem-intencionados. Não se discute o conteúdo; discute-se o tabu em torno da figura. O debate morre antes de nascer. A política, nesse caso, se esconde atrás do espetáculo da identidade.
Há algo de profundamente desonesto — quase histérico — nesse culto à imagem, onde o grito ocupa o lugar do argumento e o aplauso substitui o trabalho. Hilton parece ter confundido representação com encenação, e mulher com enredo. Mas esse enredo, escrito em cima de plásticas e indignação performática, não nos inclui. Nada disso nos representa. Nada disso representa mulheres.
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Juliana Moreira Leite é jornalista, apresentadora e comentarista. Aqui você vai ver o Brasil como ele é, não como tentam vender. |
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