O preço do silêncio
Certos silêncios não se impõem, se compram. Não por lealdade, não por ética, mas por medo aritmético
Juliana Moreira Leite - 02/02/2026 09h46

O que Daniel Vorcaro tem de mais valioso não cabe em balanço, não aparece em planilha nem circula nos salões com crachá: é o silêncio.
Um silêncio denso, cultivado, quase disciplinado, desses que não nascem do acaso, mas da consciência exata do que se sabe; e do que se escolhe não dizer. Em Brasília, onde a fala é moeda inflacionada, calar-se virou um ativo raro.
A capital entende isso melhor do que finge. Sabe que certos silêncios não se impõem, se compram. Não por lealdade, não por ética, mas por medo aritmético. Manter Vorcaro calado não é questão de princípio, é de custo. E ali, quando o silêncio é estratégico, o preço deixa de ser razoável e passa a ser pessoal.
Brasília pagará. Pagará porque sempre pagou, porque sempre prefere o desembolso à revelação. Pagará o quanto for preciso, o quanto ele quiser, porque o que está em jogo não é um homem, mas o conforto de um sistema inteiro que depende daquilo que não vem a público. E nada apavora mais o poder do que a possibilidade de alguém, finalmente, resolver falar.
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Juliana Moreira Leite é jornalista especialista em cultura, escritora e curiosa. Nesse espaço vai falar sobre assuntos da atualidades sob a sua visão. |
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