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Opinião JR Vargas: Qual é a relação entre a corrupção e o pecado?

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou que a corrupção é uma praga no Brasil. Todavia, essa praga tem vida longa e morte difícil

JR Vargas - 18/04/2018 11h31

A corrupção do gênero humano é um importante capítulo da Teologia. O ser humano pecou e o pecado contaminou toda a humanidade. A exceção de Jesus, não há quem não venha a praticar o pecado, ainda que, corretamente, busque uma vida de santificação. O pecado, que gera a corrupção do gênero humano, tem na corrupção do Estado um de seus piores exemplares. Por óbvio, todo o contexto de desvio de recursos, propina, mensalão e outros termos pertencentes à mesma família, resultam do pecado.

Em diversas ocasiões, no tempo dos profetas bíblicos, Deus requereu de seu povo a implementação de um conceito de justiça que nascia na espiritualidade e se reproduzia na vida cotidiana. A ideia de uma vida espiritual reclusa aos atos religiosos jamais foi incentivada pelas Escrituras. E aqui reside uma questão prioritária. Assim como o pecado se espalha e atinge o ambiente da religião e a cidade, a santificação deve ser o contrafluxo nessa jornada. A força do “ser santo” precisa ser maior que a do “ser corrupto”. E, claro, nesse aspecto, espera-se muito da Igreja.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou que a corrupção é uma praga no Brasil. Preciso reconhecer que ela tem feito um ótimo trabalho de combate. Todavia, essa praga tem vida longa e morte difícil. Segundo recente pesquisa do Datafolha, sobre a celebrada Operação Lava Jato, maior e mais expressiva no combate a corrupção, 84% dos entrevistados defendem sua continuação, enquanto 12% consideram que ela já cumpriu o seu objetivo e deve ser encerrada. A maioria dos brasileiros não suporta mais tanta roubalheira. Porém, há quem torça por um desfecho morno, premiando a impunidade.

O combate à corrupção passa pela batalha contra o pecado. Não se pode espiritualizar demais, nem de menos. O pecado corrompe a justiça, a honestidade, o respeito. Os direitos são corrompidos quando há pecado. O que me enche de esperança é saber que, como disse Jesus, as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja. A perfeição, desse lado de cá da eternidade, não será atingida, mas temos a obrigação de avançar e um desses alvos é o combate à corrupção.

JR Vargas é pai do Lucas Campos Vargas; Pastor Plantador da Igreja Presbiteriana das Américas, na Barra da Tijuca, RJ; Radialista, Apresentador do Debate 93, da Rádio 93FM; Escritor; Graduado e Pós-graduado em Comunicação Social e Teologia.