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Opinião JR Vargas: Hiatus

Hiatus é o termo, em latim, usado para representar a pausa ou lacuna no decorrer de um acontecimento contínuo

JR Vargas - 04/04/2018 10h30

Hiatus é o termo, em latim, usado para representar a pausa ou lacuna no decorrer de um acontecimento contínuo. A ideia é de um movimento que é interrompido, ou seja, algo que poderia ou deveria ser constante, mas que sofre uma paralisação.

Aplico esse termo à perspectiva espiritual para significar o que deveria ser contínuo e ao sofrer interrupções produz prejuízos perigosos à fé. O exercício da vida cristã tem na conversão o seu marco e referência. A pergunta é: o que acontece entre a conversão e hoje?

Uma admoestação:
Cuidado com os hiatus espirituais – são neles os piores e mais violentos ataques à sua fé.

Em Mateus 12:43-45 há o registro e a narração de uma estratégia de ação do inimigo: “E, quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra. Então diz: ‘Voltarei para a minha casa, de onde saí’. E, voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e são os últimos atos desse homem piores do que os primeiros. Assim acontecerá também a esta geração má”.

A Bíblia descreve essa ação em duas perspectivas:

  • Do espírito imundo – sai do homem, mas não encontra outro lugar, a não ser aridez. O que ele faz? Volta para onde saiu com outros piores que ele.
  • Do homem – liberto do espírito imundo, porém, ainda que livre da presença imunda, continua vazio. E seu segundo estado é pior que o anterior.

As dinâmicas do texto bíblico devem ser cuidadosamente apreendidas.

A ação diabólica é real e tem um alvo bastante óbvio – o ser humano.

Outros textos nos ajudam a entender seu modelo de ação:

  1. A tentação a Jesus objetivava tirá-lo da sua missão;
  2. Cristo narra em João 10:10 referindo-se ao diabo: “O ladrão vem somente para matar, roubar e destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente”.
  3. O exemplo mais forte do Novo Testamento é o do Gadareno, conforme Marcos 5:2-5, observe essa impressionante descrição: “Quando Jesus desembarcou, um homem com um espírito imundo veio dos sepulcros ao seu encontro. Esse homem vivia nos sepulcros, e ninguém conseguia prendê-lo, nem mesmo com correntes; pois muitas vezes lhe haviam sido acorrentados pés e mãos, mas ele arrebentara as correntes e quebrara os ferros de seus pés. Ninguém era suficientemente forte para dominá-lo. Noite e dia ele andava gritando e cortando-se com pedras entre os sepulcros e nas colinas”.

Em suma: Seu alvo é nos arrancar da nossa missão, destruir nosso relacionamento com Deus e acabar com a nossa vida.
E atenção: Isso é de verdade, não é filme, e não se relaciona apenas a vida do outro, mas também à sua.

Somos alvos constantes dessa ação contra a nossa vida e a nossa vulnerabilidade espiritual é um fator preponderante nessa estratégia.

Reveja o texto bíblico:
Houve a libertação, o espírito imundo foi expulso, mas a casa ficou vazia.

Entenda:
A libertação de uma ação diabólica não é o ponto final na trajetória espiritual, mas um bom começo.

É importante distinguir possessão de opressão. Possessão é um domínio, controle, o gadareno é um exemplo. Ela acontece com a minoria das pessoas. A opressão é uma ação externa, são proposições no formato de tentações. Ela acontece com todo mundo. Embora o texto exemplifique o modelo de ação na possessão, vale a pena refletir também sobre a opressão.

Tomando por base o homem do texto bíblico, o que aconteceu entre a libertação e o novo ataque?

Nada mudou. A casa ficou vazia, aliás vazia, varrida e ornamentada. Não foi preenchida, nem ocupada. O processo espiritual iniciado sofreu um hiatus, uma interrupção. Deveria ser contínuo e constante, todavia não o foi. Esse é o estado de total vulnerabilidade.

Um dos pilares do calvinismo é a doutrina da depravação total: todo ser humano foi contaminado pelo pecado. Vivemos num estado de pecado e nossos atos e pensamentos refletem isso. Nossa tendência é a simpatia com o que nos satisfaz e não com o que a Deus satisfaz. A virada desse processo não está na libertação, no sentido narrado no texto, mas na santificação.

A santificação depende da ação do Espírito Santo. Ele é quem convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo, conforme disse Jesus em João 16:8. Há também a participação humana nesse processo e que pode ser ilustrada pelo preenchimento da casa. Santificação é um processo que dura a vida inteira. A iniciativa é divina ao nos dar o Espírito que é Santo para nos santificar. Seguimos esse movimento sendo cheios pelo Espírito Santo ao buscá-lo espiritual e fisicamente.

Como isso se dá:
Caminhada com Deus – ouvindo, falando e obedecendo. E isso deve ser contínua e constantemente. Sem hiatus.

Lembra do gadareno? Ele revelou uma forte disposição em caminhar com Jesus fisicamente, segui-lo pelas aldeias e cidades, todavia a determinação de Jesus para ele não se restringia ao mundo geográfico, mas ao espiritual. Era bem mais que estar em Cafarnaum, na Galileia ou mesmo em Jerusalém. Era ter Jesus no coração e seriamente segui-lo espiritualmente.

Para terminar:
Cuidado com os hiatus espirituais – são neles os piores e mais violentos ataques à sua fé.

JR Vargas é pai do Lucas Campos Vargas; Pastor Plantador da Igreja Presbiteriana das Américas, na Barra da Tijuca, RJ; Radialista, Apresentador do Debate 93, da Rádio 93FM; Escritor; Graduado e Pós-graduado em Comunicação Social e Teologia.