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Opinião JR Vargas: Considerações de um sobrevivente

Alguns acreditam que o tempo cura tudo. Mas será isso mesmo? Como sobreviver ao passado?

JR Vargas - 02/05/2018 09h37

Proponho, inicialmente, duas formas para encarar o passado:

“O passado parece ser o lugar mais seguro do mundo”.

Sabemos tudo o que aconteceu, conhecemos o final da história e, principalmente, não pode ser mudado. Por essas razões que, em casos de crises, é bem comum a pessoa querer reencontrar o passado.

“O passado parece ser o lugar mais sombrio do mundo”.

Os “fantasmas do passado” podem perseguir alguns, para o resto de suas vidas. Os traumas das histórias sofridas podem projetar dores agudas que insistem em voltar, a despeito das muitas tentativas de fuga.

Alguns acreditam que o tempo cura tudo. Compreendo o desejo óbvio de se lançar uma questão nas teias do tempo na expectativa de que tudo seja resolvido um dia, no futuro. Pode haver um aparente esquecimento, mas, infelizmente, muitas questões ressurgem na linha de outro tempo e parecem voltar ainda mais fortes e já acumulando outros temas do passado. Afirmo que da suposta segurança do passado, ou do lugar sombrio que ele se transformou, a liberdade encontra-se em Jesus Cristo. E no que me baseio para lançar essa afirmação?

Vamos à Bíblia! Jesus disse, em Mateus 24:12: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos”. O mundo, que segundo a Bíblia, jaz no maligno, produz uma série de iniquidades, cuja multiplicação, resulta num esfriamento do amor. Ou seja, com o passar do tempo há a multiplicação da iniquidade e o esfriamento do amor, que nos levará a banalizar o conceito de amor e, consequentemente, a desconfiar de sua real existência.

Esse esfriamento se dará no plano dos relacionamentos humanos, sejam familiares ou amizade, mas também na dimensão espiritual. Quando uma pessoa passa a considerar a inexistência do amor humano, pode também considerar a possibilidade do amor de Deus não ser uma verdade. Alguns dizem: “Se Deus é amor, porque isso acontece?”. A maldade humana gera o esfriamento do amor e isso acaba gerando um enfraquecimento na caminhada com Deus.

Todavia, a Bíblia nos mostra e fala que Jesus nos ama e que esse amor nos constrange. Está escrito em II Coríntios 5:14: “Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram”. O amor de Cristo é concretizado em sua morte, como diz, no mesmo capítulo, o versículo 15: “ele morreu por todos”. A mesma ideia está no texto mais conhecido do novo testamento: João 3:16. Deus amou ao mundo e deu Jesus. Este por sua vez amou ao mundo e seu deu por nós. Portanto, o envio de Jesus, a sua vinda, entrega, ressurreição e promessa da volta revelam, de forma enfática, o amor maravilhoso de Cristo, que nos constrange.

A palavra traduzida como contrange tem algumas importantes variações, segundo Simon Kistemaker, e estas podem nos ajudar a entender ainda mais o seu sentido mais profundo:

  • O amor de Cristo nos impele.
  • O amor de Cristo nos impulsiona.
  • O amor de Cristo nos incentiva a avançar.
  • O amor de Cristo nos domina inteiramente.
  • O amor de Cristo nos prende.

A conclusão é que Paulo e os que seguem a Cristo estão completamente dominados pelo amor de Cristo, de modo que vivem para ele.

Agora é possível avançar para o versículo 17: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”. O conceito: está em Cristo aquele que foi constrangido por seu amor e por essa razão foi completamente dominado na mais profunda e verdadeira sequência lógica. Jesus nos amou e porque ele nos amou nós o seguimos por amor, não por obrigação ou na expectativa de dele receber algo, afinal, o melhor a receber já foi recebido, o seu amor, e o que agora nos move é gratidão.

Como resultado desse amor, estamos em Cristo, e isso nos leva a um recomeço completo, que se inicia no âmbito espiritual, mas que irradia de uma forma integral. As coisas antigas já passaram; o que fazia arder seu coração antes de reconhecer o amor de Cristo não faz mais sentido. O que comandava a sua vida, antes de ser impactado pelo amor de Cristo, perdeu seu significado. E eis que se fizeram novas – as coisas boas do passado são preservadas, mas as negativas são abandonadas. Há uma novidade de vida fruto do amor que nos domina e constrange, que nos leva a deixar as histórias antigas e seguir em frente, a vivenciar a cura das feridas emocionais, a lembrar do que passou de uma forma leve, sem sentir novamente as dores.

O amor de Cristo, que nos faz ser novas criaturas e que nos leva a deixar o passado e viver novidade de vida nos permite sobreviver.

JR Vargas é pai do Lucas Campos Vargas; Pastor Plantador da Igreja Presbiteriana das Américas, na Barra da Tijuca, RJ; Radialista, Apresentador do Debate 93, da Rádio 93FM; Escritor; Graduado e Pós-graduado em Comunicação Social e Teologia.
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