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O que NÃO podemos aprender com a ministra?

A despeito de todo estrago gerado por esse triste episódio posso aprender muito. Especialmente o que não fazer

JR Vargas - 09/11/2017 16h20

A lei vale para todos Foto: Pixabay

Quatro boas lições destacadas do imbróglio do requerimento à Casa Civil para que fosse somado à aposentadoria como desembargadora o salário integral de ministra, o que ultrapassaria os vencimentos estabelecidos pela Lei.

1. Que a Lei vale para todos, mas exceções podem acontecer.
O princípio da igualdade não me permite aceitar a hipótese de ser preterido em alguma causa, por qualquer motivo e situação. A Lei vale para todos e não posso ser prejudicado para que ela beneficie alguns. Da mesma forma, para ser prestigiado, outros não podem sofrer.
O teto salarial para o funcionalismo deve valer para todos: para quem pediu e não levou e para quem levou, se houver.

2. Que Direitos Humanos são para mim e, se for possível, para os outros.
As fronteiras do ego são alargadas no compasso do crescimento infantil. Contudo, é possível que algum desavisado (ou desavisada) entenda que a sua humanidade seja melhor ou mais importante que a dos demais. Essa exuberante prepotência apequena a história de uma pessoa. Um defensor dos direitos humanos precisa pensar em outros seres humanos além de si.

3. Que argumentos não precisam ser justos quando se pleiteia algo.
A ausência de razão faz brotar a criatividade na busca por uma argumentação convincente. É nessa hora que questões menos importantes e frágeis passam a ocupar o pódio do discurso. A embalagem é aberta e se descobre o que estava realmente em seu interior. Em alguns casos, bem diferente. Associar escravidão a obediência à Lei do Brasil é um argumento vazio por si só.

4. Que não se pode voltar atrás quando somos infelizes numa situação.
A nossa natureza humana tenta nos fazer acreditar que, numa análise comparativa, somos melhores que a maioria. Esse orgulho nos impede, muitas vezes, de admitir os nossos erros, nossas falhas e de expressar um sincero arrependimento. Essa herança de Adão e Eva nos leva a terceirizar responsabilidades e a perder ótimas oportunidades de reconhecer nossos tropeços e pedir perdão.

Houve tempo hábil para se desculpar com a nação. Somente retirar a solicitação é para os fracos.

Concluo afirmando que, a despeito de todo estrago gerado pelo episódio da ministra dos Direitos Humanos, ela não é só isso. A sua história deve conter cenas ricas de conquistas justas. Mas dessa vez, não foi legal. E ainda que fosse, não seria moral. Contudo, não posso julgar a pessoa, não sou melhor que ela, mas sim seus atos como servidora pública. E com essa história triste posso aprender muito. Especialmente o que não fazer.

 

JR Vargas é pai do Lucas Campos Vargas; Pastor Plantador da Igreja Presbiteriana das Américas, na Barra da Tijuca, RJ; Radialista, Apresentador do Debate 93, da Rádio 93FM; Escritor; Graduado e Pós-graduado em Comunicação Social e Teologia.