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Estupro coletivo

Durante 26 dias, ela ficou presa com mais de 20 homens

JR Vargas - 11/09/2017 09h22

Estupro coletivo / Foto: Pixabay

Uma experiente delegada carioca narrou a investigação de um estupro coletivo realizado na Baixada Fluminense. Uma jovem saiu de um baile com um rapaz e, a caminho da condução, foi surpreendida por homens que, após espancarem o acompanhante dela, a jogaram numa van e foram para uma casa. Lá, ela foi estuprada por seis homens, inclusive um menor, algumas vezes. A delegada recebeu essa vítima, dias depois, em tempo de construir uma sólida investigação que levou à prisão dos maiores e apreensão do menor.

O Ministério da Saúde informa: as notificações de estupro coletivo no Brasil saltaram de 1570, em 2011, para 3526, em 2016. Se considerarmos que apenas 10% dos estupros são notificados e que 30% dos municípios não fornecem dados ao Ministério, os números são bem mais gigantes.

No Rio, infelizmente, esses crimes têm acontecido com frequência, em especial, por causa da repercussão das imagens, gravadas pelos algozes, e viralizadas nas mídias sociais. Ouvi depoimentos de pessoas próximas de um dos casos e, alguns, aparentemente, culparam a estuprada. Chegaram a dizer que o comportamento dela era um convite a essa prática. Sinceramente, não entendo como se pode querer justificar uma barbaridade dessas.

O que leva um grupo de pessoas a agir assim? Alguns argumentam que a falta de educação seja um fator crucial. Eu até concordaria se os Estados Unidos não estivessem no topo da lista, segundo a ONU, entre os países com maior incidência de estupros em 2010. Nesse TOP FIVE do horror ainda estão: África do Sul, Índia, Reino Unido e México. A Índia talvez seja o mais famoso dos cinco nessa brutalidade, possivelmente por causa da trágica história vivida por Jyoti Singh, cuja vida mudou em 16 de dezembro de 2012, ao ser estuprada por seis homens, num ônibus. Ela morreu por não resistir aos ferimentos. A lei na Índia foi mudada em razão de mais esse triste episódio.

Um símbolo dessa tristeza no Brasil é a L.A.B. Do alto dos seus 15 anos, essa adolescente foi presa sob a acusação de tentar furtar um telefone celular. Na época, ela pesava menos de 40 quilos e tinha 1,50 de altura. Levada para a delegacia ficou trancada numa cela masculina. Durante 26 dias, ela ficou presa com mais de 20 homens. Segundo seus relatos e de outros presos, ela foi estuprada cinco ou seis vezes por dia. Era uma menina de 15 anos. Essa tragédia anunciada aconteceu em outubro de 2007. Incrível, mas verdade: foi uma delegada quem decidiu por trancafiar a menor naquele inferno.

Duvido que algum leitor concorde com a prática do estupro, coletivo ou não. Entretanto, é necessário mais que discordar. Não é aceitável que mulheres sejam atacadas por bestas humanas que as transformam em pedaços dificilmente recompostos. Esse traço bestial acompanha a humanidade desde a sua formação. As leis foram criadas para impedir o avanço da maldade. Mas nem as punições mais rigorosas têm sido suficientes para frear esse comportamento doentio.

No segundo livro de Samuel, há um importante relato sobre o drama vivido por Tamar ao ser violentada por um irmão de sangue, Amnom. Esse episódio representa muito bem o sofrido ambiente do estupro doméstico. Vou contar o início desse drama, como o narro em meu livro “Nada Mais Será Como Antes”.

Ele segura-lhe fortemente e revela seu verdadeiro intuito. Diz que a deseja há muito. Externa sua paixão doentia e não controlada. Segura em seus braços e a puxa para perto de si. Ela assustada tenta reagir, mas a força dele é em muito superior. Não consegue lutar, mas pede que ele não faça nada. Isto é uma loucura, disse ela.

É hora de dar um basta nesse tipo de comportamento absurdo. O cristianismo valorizou a mulher como nenhuma outra religião. Jesus trouxe as mulheres para a linha de frente do seu ministério. O respeito ao sexo feminino deve ser uma das bandeiras dos seguidores de Cristo. Devemos viver o respeito e também acolher a quem passou por um trauma dessa natureza. Há cura emocional em Jesus. Ele sabe como cuidar de nosso coração e da mente, promovendo uma completa restauração. Nele todos são acolhidos e encontram descanso.


JR Vargas é pai do Lucas Campos Vargas; Pastor Plantador da Igreja Presbiteriana das Américas, na Barra da Tijuca, RJ; Radialista, Apresentador do Debate 93, da Rádio 93FM; Escritor; Graduado e Pós-graduado em Comunicação Social e Teologia.