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Coluna JR Vargas: Os omissos

Somos uma sociedade apaixonada por si mesma, perdida nas questões umbilicais e aprisionada por uma desconexão com o próximo. Isso precisa mudar!

JR Vargas - 24/01/2018 10h15

Um dia, vieram e levaram meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia, vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram. Já não havia mais ninguém para reclamar.

Se foi o poeta russo Vladimir Maiakovski ou o dramaturgo alemão Eugen Brecht, ou ainda outro que escreveu esse texto, já seria uma boa discussão. Contudo, ela não supera, nem de longe, o conteúdo inflamável aqui revelado.

Os temas do egoísmo e da omissão berram diariamente em nossa sociedade apaixonada por si mesma, perdida nas questões umbilicais e aprisionada por uma desconexão com o próximo. A não ser, que haja um próximo capaz de produzir algum benefício. Porém, esse tipo de proximidade interesseira é ineficaz para reduzir problemas e campeão na criação de novos dramas.

Jesus trabalhou esse assunto com um especialista da Lei na famosa “Parábola do Bom Samaritano” (Lucas 10:30-37). O teórico sabia muito do que fazer, mas, infelizmente, não fazia. Para destacar essa perspectiva, Jesus insere um sacerdote, um levita e o samaritano na história. Os dois primeiros foram omissos. Se dependesse deles, o ferido, descrito como alguém assaltado num caminho perigoso de uns 27 km entre Jerusalém e Jericó, teria morrido e seria largado lá mesmo.

A omissão é uma péssima companheira. Todavia, ela tem feito amizade com muitas pessoas e o mundo tem ficado cada vez mais egoísta. O antídoto para essa enfermidade é o amor. Quem ama a Deus, como disse Jesus, amará a quem Ele tanto ama. Não há amor sem doação. Deus doou seu Filho, que, por sua vez, doou a si mesmo. O modelo já foi estabelecido. Amados aprendem a amar. E, segundo a lógica, se não amam, não alcançaram a lição, que, na letra do poeta popular, já sabemos de cor. Só nos resta aprender.

 

JR Vargas é pai do Lucas Campos Vargas; Pastor Plantador da Igreja Presbiteriana das Américas, na Barra da Tijuca, RJ; Radialista, Apresentador do Debate 93, da Rádio 93FM; Escritor; Graduado e Pós-graduado em Comunicação Social e Teologia.