Coluna JR Vargas: Ateísmo crescente entre os adolescentes

A geração Z não tem uma identidade religiosa

JR Vargas - 31/01/2018 10h15

Uma pesquisa do Grupo Barna, realizada com a geração Z, nascida entre 1999 e 2015, nos Estados Unidos, aponta que a influência do cristianismo lá está diminuindo. As taxas de frequência à igreja, a afiliação religiosa, a crença em Deus, a oração e a leitura da Bíblia têm caído há décadas. Os especialistas afirmam que os americanos estão se tornando pós-cristãos e, simultaneamente, a identidade religiosa está mudando.

O impacto desse movimento impressiona: mais do que qualquer outra geração antes deles, a geração Z não tem uma identidade religiosa. Eles podem ser atraídos para coisas espirituais, mas com um ponto de partida muito diferente das gerações anteriores, muitos dos quais receberam uma educação básica sobre a Bíblia e o cristianismo. A porcentagem da geração Z que se identifica como ateu é o dobro da população adulta dos EUA. Para eles, “ateu” não é mais uma palavra suja: a porcentagem de adolescentes que se identificam como tal é o dobro da população geral (13% contra 6%). A proporção que se identifica como cristão também cai de geração em geração.

Mais de um terço da Geração Z (37%) acredita que não é possível saber com certeza se Deus é real, em comparação com 32% de todos os adultos. Para muitos adolescentes, a verdade parece relativa, na melhor das hipóteses e, na pior, completamente incognoscível. Quase metade dos adolescentes diz: “Preciso de provas factuais para apoiar minhas crenças” (46%) – o que ajuda a explicar a sua preocupação com a relação entre ciência e Bíblia. Significativamente menos adolescentes e jovens adultos (28% e 25%) do que a Geração X Boomers (36% e 45%) veem os dois como complementares. Mais da metade da Geração Z diz que o envolvimento da igreja “não é muito” (27%) ou “nada” importante (27%). Apenas um em cada cinco diz que a participação na igreja é “muito importante” para eles (20%).

Por que a igreja é sem importância? Entre os que dizem que participar da igreja não é importante para eles, três de cinco adolescentes cristãos dizem: “Encontro Deus em outro lugar” (61%), enquanto a mesma proporção de não cristãos diz que “a igreja não é relevante para mim, pessoalmente” ( 64%).

Há significativas diferenças entre os adolescentes americanos e os brasileiros. Contudo, reproduzo parte da pesquisa, aqui na minha coluna, para provocar reflexão e cuidados com essa faixa etária extraordinária, que, infelizmente, muitas vezes é desprezada na família e na Igreja.

JR Vargas é pai do Lucas Campos Vargas; Pastor Plantador da Igreja Presbiteriana das Américas, na Barra da Tijuca, RJ; Radialista, Apresentador do Debate 93, da Rádio 93FM; Escritor; Graduado e Pós-graduado em Comunicação Social e Teologia.