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Assumindo dores

As dores que você tem são suas, somente você as tem como elas são. Todavia, não precisam ficar somente com você

JR Vargas - 23/05/2018 11h59

Há dores que doem sem que o outro veja, e o fato de não serem vistas faz com que se pense que não há dor. A dor do submerso que não consegue emergir parece ser a dor do que conhece a saída, mas não é capaz de chegar até ela. Há dores das quais muitos falam, sendo, contudo, conhecida apenas dos que a sentem.

O fato é que há dores. Não conheço quem não as tenha. Dores não são reprises de um filme antigo que todo mundo já viu. Há dores inéditas e seu ineditismo inviabiliza o mais do mesmo. Não se pode tratar o diferente como se fosse igual.

As dores que você tem são suas, somente você as tem como elas são. Todavia, não precisam ficar somente com você. Compartilhar a dor pode parecer, para alguns, ainda mais doloroso. A fragilização, ao contrário, pode ser o caminho acertado para encontrar a cura. Assuma as suas dores e divida suas questões com alguém interessado.

Falar das dores, por si só, não é suficiente. Importante é compartilhar dores. Num dia você chora com quem chora. No outro, alguém chora quando você chorar. Todos choram, todos sentem dores. Jesus nos convida a chorar com Ele. Nas ocasiões registradas na Bíblia onde Ele chorou, havia alguém por perto. Nem todos entenderam suas razões, como também não somos compreendidos hoje. E creio, que o crucial não está no campo do entendimento e sim da proximidade.

Chore suas dores. Compartilhe suas dores. Todos sofrem. Você não é o único e nem o mais sofredor. Não se deixe abater e nem desanimar.

O Salmo 139 revela a proximidade impressionante de Deus com os que sofrem. Diz assim:

“Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me sento e quando me levanto; de longe percebes os meus pensamentos. Sabes muito bem quando trabalho e quando descanso; todos os meus caminhos te são bem conhecidos. Antes mesmo que a palavra me chegue à língua, tu já a conheces inteiramente, Senhor. Tu me cercas, por trás e pela frente, e pões a tua mão sobre mim. Tal conhecimento é maravilhoso demais e está além do meu alcance, é tão elevado que não o posso atingir. Para onde poderia eu escapar do teu Espírito? Para onde poderia fugir da tua presença? Se eu subir aos céus, lá estás; se eu fizer a minha cama na sepultura, também lá estás. Se eu subir com as asas da alvorada e morar na extremidade do mar, mesmo ali a tua mão direita me guiará e me susterá. Mesmo que eu dissesse que as trevas me encobrirão, e que a luz se tornará noite ao meu redor, verei que nem as trevas são escuras para ti. A noite brilhará como o dia, pois para ti as trevas são luz” (1-12).

Deus nunca está longe dos que sentem dores. Se dói, e eu sei que dói, aproxime-se mais Dele e descubra como é diferente enfrentar dores ao lado de quem resolveu sofrer para nos oferecer alívio.

JR Vargas é pai do Lucas Campos Vargas; Pastor Plantador da Igreja Presbiteriana das Américas, na Barra da Tijuca, RJ; Radialista, Apresentador do Debate 93, da Rádio 93FM; Escritor; Graduado e Pós-graduado em Comunicação Social e Teologia.
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