Alguns acham que o que me espera são as feras

Mas eu aprendi a esperar no Senhor. Quem em Deus espera mantém-se esperançoso, a despeito do que o espera

JR Vargas - 01/08/2018 09h33

Fui condenado num julgamento estruturado para me condenar. Reconheço que estou sendo injustiçado, todavia, do ponto de vista humano, não há a quem eu possa recorrer. Recolho-me à minha pequenez e caminho, resignado, para a cova onde sou esperado por leões. Estes, não sei o que fizeram para ali estar, mas por questões diferentes dividiremos o mesmo espaço. O que se espera é que eu sirva de alimento para eles. O que espero? Espero no Senhor. Quem em Deus espera mantém-se esperançoso, a despeito do que o espera. Aprendi a esperar no Senhor na caminhada com Ele. Nossos encontros diários, tempo de conversas, diálogos abertos, adoração e quebrantamento, permitiram ver criada em mim plena convicção de que Deus, e somente Ele, e não as circunstâncias, pode encher meu coração de esperança.

O que pode me acontecer? O que deveria temer? A morte? O tipo de morte? Maior temor tenho da desobediência, da omissão, da negação da minha fé ou mesmo de abrir mão do tempo de oração. Alguns acham que o que me espera são as feras. Contudo, elas não sabem que o Senhor, a quem eu sirvo, tudo pode fazer, se for da vontade Dele. E, ainda que a minha vontade não seja feita, o que Deus fizer será sempre o melhor para mim. Embora, preciso dizer, não sou o centro do mundo, nessa história sou apenas um coadjuvante, e o protagonista é o Senhor que permitiu que eu fosse trazido para a Babilônia e viesse a servir neste império. Observe que não sirvo a este império, mas nele. Aqui faço o meu melhor e trabalho para a glória de Deus.

O que sei? Nada ou quase nada. Porém, sei quem sabe e com Ele eu aprendi a descansar. A cova dos leões está diante de mim e ao meu lado, junto comigo, está o Deus Criador, que fez os animais e os seres humanos, inclusive os meus algozes. Não irei julgá-los. Não desejo o mal deles, afinal eles estão embriagados pela maldade, e esta os consumirá.

A hora chegou. Eles chegaram e me levarão para cumprir a minha pena de morte. Se morrerei ou se sobreviverei é uma história a ser contada. Deus sabe. Tudo sabe. Confio Nele. E desafio você a descansar no Senhor ainda que a luta seja intensa, apesar da fome dos leões, e dos medos que estejam lhe consumindo.

JR Vargas é pai do Lucas Campos Vargas; Pastor Plantador da Igreja Presbiteriana das Américas, na Barra da Tijuca, RJ; Radialista, Apresentador do Debate 93, da Rádio 93FM; Escritor; Graduado e Pós-graduado em Comunicação Social e Teologia.