Seu casamento é uma sociedade – parte 4

Quais são os fatores podem determinar o fracasso da sociedade conjugal? É bom identificá-los e se prevenir

Josué Gonçalves - 25/08/2018 08h00

Queridos leitores do Pleno.News, quero hoje chegar ao último tópico da série casamento como uma sociedade. O assunto que trago hoje é delicado, mas muito importante. O que pode fazer uma sociedade acabar?

O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) estuda há 12 anos a sobrevivência e a mortalidade das empresas no Brasil. Esse estudo aponta que 27% das empresas fecham as portas já no primeiro ano de atividades. E eu estou preocupado com o número de sociedades que está acabando. Refiro-me, no entanto, às sociedades conjugais. Muitas delas tinham tudo para vingar e serem muito abençoadas, mas ruíram.

No Censo de 2010, a pesquisa do IBGE apontou que o número de divórcios no Brasil subiu de 1,7% em 2000 para 3,1% em 2010, ou seja, apesar da porcentagem aparentemente baixa, a proporção quase dobrou. O que indica 243.224 divórcios somente no último ano da pesquisa, quase meio milhão de pessoas levadas à falência em seu casamento.

E que fatores podem determinar o fracasso da sociedade conjugal? Quero pontuar alguns deles, ainda que de modo breve, para que você possa fazer um check-up e identificá-los na sua sociedade, caso eles deem as caras por aí.

EGOÍSMO
Durante essa série, abordei sobre o que é esperado dos sócios: que eles pensem coletivamente, pensem no casamento como um todo. Quando o sócio ou a sócia pensa apenas em si e desconsidera os interesses do outro ou do casamento, então temos a presença indesejável do egoísmo.

O pensamento comum nesses casos é: “Se eu estiver bem, não me importam os outros”; “se eu tiver dinheiro no meu bolso, que se lasquem os outros”; “se o meu carro for o melhor, que se virem os outros”; “se eu tiver uma roupa boa, que se lasquem os outros”.

O egoísmo é a causa principal de todos os casamentos que fracassaram. Quando no coração do casal prevalece esse sentimento, não há espaço para o diálogo aberto, para um pedido de perdão sincero, para uma segunda chance, para estender as mãos solidariamente.

As pessoas egoístas correm um sério risco de terminarem a vida sozinhas, pois elas plantam a pior semente sem lembrar que a colheita é sempre obrigatória.

Nenhum casamento vinga, floresce, prospera se um não priorizar as necessidades do outro. Quanto mais eu me preocupo com as necessidades da minha esposa, melhor fica o nosso casamento.

Lembre-se: amar é abrir mão por um tempo do seu mundo, para se preocupar com o mundo do outro. Não permita que o egoísmo, como uma ferrugem, comprometa toda a estrutura da sua sociedade conjugal.

“Amor verdadeiro é quando você se livra do egoísmo e está mais preocupado com sua companheira ou com as crianças do que com você mesmo. No casamento, agora você é um doador, e não um receptor.” (Sylvester Stallone)

MENTIRA
Uma sociedade também quebra e vai à bancarrota quando a mentira prevalece. Um mente para o outro. Eles mentem aos filhos. Mentem a todos.

Quando mentir se torna um hábito, temos o contrário do que deveria haver: falta transparência. Lembra-se de que falamos sobre ela semana passada? Pois é, se faltar, poderá dar lugar à mentira.

A mentira também pode ser traduzida por falta de honestidade. Quem mente age com desonestidade, primeiro com o Senhor, que disse que o diabo é o pai da mentira, e, portanto, não tem parte com Deus. Depois, quem mente ao sócio é porque age desonestamente para levar alguma vantagem, saquear os lucros que deveriam ser divididos igualmente.

E a mentira tem agravantes delicados, pois mexe com a questão da confiança, traindo-a. Restaurar o mesmo nível de confiança que havia, depois de violar o lacre que antes existia, é um trabalho terapêutico que exige muito esforço, honestidade inviolável e verdade acima de tudo. É preferível avaliar primeiramente e constatar que não vale a pena mentir, seja qual for a circunstância.

Você trabalha só com a verdade? A verdade não tem medo da luz e é filha do tempo. Sem um comprometimento com a verdade, o casamento é como uma residência construída na areia: é uma questão de tempo, vai cair.

Seja honesto, diga a verdade e mantenha em pé sua sociedade, que deve estar blindada com a verdade.

“Os fracos não podem ser sinceros.” (La Rochefoucauld)

ESFORÇO UNILATERAL
Pense em um avião. Ele se mantém no ar por causa de duas asas, certo? São elas que o fazem ficar estabilizado, levando a todos em segurança. Muito bem, quando toda a carga de passageiros, tripulantes e malas no compartimento de bagagens depende de uma só asa, temos o esforço unilateral. O mesmo acontece com uma sociedade. Se apenas um lado dela se esforça o resultado inevitável você já imaginou: a queda.

Um avião, tal qual o casamento, sempre vai depender do esforço de todos. Se for um casal, os dois deverão dar o melhor de si. Se for uma família com dois filhos, cada um no desempenho do seu papel, os quatro deverão esforçar-se para manter o avião no ar, e com isso irão mais longe. Cada um dando o melhor de si. Nada de fazer corpo mole, deixando que apenas um faça o trabalho de todos. Isso não seria uma sociedade inteligente – estaria mais para um profissional liberal!

Esse tripé, egoísmo, mentira e esforço unilateral, pode arruinar uma sociedade, ainda que tenha tudo para dar certo. Mesmo que as expectativas iniciais sejam as melhores, que as probabilidades de darem frutos sejam altas, que as promessas e compromissos assumidos sejam os mais nobres; se o egoísmo entrar, se houver alguém fazendo o esforço que deveria ter sido compartilhado ou a mentira prevalecer, sua sociedade será marcada pela falência, pelos prejuízos em comum e pela vergonha de ter iniciado um grande negócio e não alcançar o sucesso que todos esperavam ver.

No seu casamento, quem mais se esforça para melhorar a sociedade conjugal? Os casais que vivem bem sabem lutar juntos para alcançar o melhor resultado.

“Nenhum trabalho de qualidade pode ser feito sem concentração e autossacrifício, esforço e dúvida.” (Max Beerbohm)

Josué Gonçalves é terapeuta familiar, escritor, pastor e apresentador do programa Família Debaixo da Graça, transmitido pela RedeTV!. Trabalha com o tema Família há 27 anos. Seu trabalho pode ser conhecido em: amofamilia.com.br

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