Seu casamento é uma sociedade – parte 2

Um casamento no qual um sócio não sabe nada sobre as finanças do outro é um casamento que na verdade nunca foi celebrado como sociedade

Josué Gonçalves - 11/08/2018 08h00

Prezados leitores do Pleno.News, semana passada iniciamos uma série de reflexões sobre o casamento como sociedade. Quero prosseguir com o assunto e tocar em dois pontos importantes para o sucesso dessa parceria.

Existem dois pontos que sempre provocam conflitos no relacionamento conjugal.

Primeiro ponto de tensão: o sexo. O ajustamento sexual dentro do casamento não é tão simples como muitos pensam. Homem e mulher têm respostas sexuais muito diferentes, pensam sobre sexo de forma distinta, desejam sexo em uma frequência diferente, têm desejos em momentos distintos etc. Por isso, essa é uma área muito propícia para conflitos.

Segundo ponto de tensão: o dinheiro. Ele pode ser uma grande bênção, mas se ganhar importância e status indevidos, além do que merece, pode tornar-se um grande problema. São recorrentes os casos de cônjuges que trabalham fora, que têm uma carreira profissional, ou simplesmente quando o marido é o provedor único da casa, caírem numa armadilha comum.

Uma pergunta que sempre faço aos maridos: A sua esposa sabe o quanto você ganha? Ou quando ambos têm uma carreira profissional bem-sucedida, podemos adaptar a pergunta para: O seu cônjuge sabe o quanto você ganha?

Mas vamos ficar na primeira pergunta e em seus desdobramentos, pois ela, por si, já vai revelar o que fica oculto muitas vezes.

Se a esposa não tem liberdade para dizer quando um bem deve ou não ser comprado, se é ou não o melhor momento, se o marido tem o hábito de dizer “o dinheiro é meu. Eu o ganhei e faço o que quero com ele”, então eu pergunto: Por que você se casou? Que sociedade é essa que permite segredos ou temas impróprios para um dos sócios? Quem não deseja compartilhar a vida não deve se casar. É melhor fazer a opção por ter um cãozinho para fazer companhia, pois os cães não pedem prestação de contas nem querem saber o quanto você ganha, nem onde você aplica o seu dinheiro.

Alguns provedores se sairão com a desculpa esfarrapada de que se ela souber o quanto ele ganha ou o quanto ele tem, irá querer gastar tudo. Nesse caso, então, quem está com problemas é a pessoa que pensa assim. E explico o motivo: o provedor não é apenas de recursos financeiros – ele deve prover sua família com informações, com orientação. É função de liderança, para a qual o homem foi chamado.

Há muitos maridos com dificuldade de entender algo bastante natural. Liderar o casamento ou a família não significa manifestar o seu gênero – no caso é macho. Quando a Bíblia o chama de “cabeça da mulher”, há que se entender que a cabeça provê a todo o corpo, muito mais que a identidade sexual.

Eu explico: é na cabeça que encontramos os olhos (por onde temos a visão); é na cabeça que estão os ouvidos (que recebem informação externa) e é na cabeça em que se situa o cérebro, onde são processadas as informações da visão e da audição e que dará aos demais membros as orientações para que o corpo todo não padeça.

Dessa forma, a liderança é papel do marido, mas isso se deve dar na base do compartilhamento da informação, e não na privação de bens e informações aos demais sócios. Quem coloca o limite aos excessos da esposa é o homem, e faz isso por meio do diálogo aberto, da informação e do respeito mútuo.

Minha esposa pode saber que eu tenho dinheiro, mas quem estabelece os limites do seu uso e gastos sou eu. De que modo eu consigo isso? Ajudando-a entender princípios de economia – embora a minha esposa seja muito equilibrada e sensata.

Um casamento no qual um sócio não sabe nada sobre as finanças do outro é um casamento que na verdade nunca foi celebrado como sociedade.

Pode ser que um ou mais leitores ainda mantenham suas finanças separadas, mas é preciso ter em mente o impacto que suas atitudes causarão um no outro. E esse impacto existe, ainda que na sua vida conjugal esses efeitos ainda não tenham sido manifestados.

Para muitas esposas é terrível ter que viver mendigando, pois estão privadas pelos maridos de compartilhar uma decisão sobre gastos e investimentos. E não são poucos os casos em que esposas dizem que estão à procura de emprego por não aguentar mais pedir esmola para o seu próprio marido. Isso é inadmissível.

Apesar de ele ter razão em dizer que “quem põe comida aqui” é ele ou “quem paga conta de luz e de água” é ele, a esposa também é sócia porque se ela não executasse sua função de educadora e cuidadora de seus filhos, ele não estaria no seu emprego ganhando o que ganha para depois gabar-se de que ganhou aquilo sozinho. O trabalho da esposa e mãe tem o mesmo valor da missão do marido como provedor. Sem a participação dela nos cuidados do lar, que envolvem a casa, os filhos e outras responsabilidades mais, ele nunca teria tido o êxito que teve na sua carreira profissional.

O homem que ama de forma responsável e é um administrador inteligente nunca expõe a esposa à vergonha, quando diz que o seu trabalho fora de casa, buscando recursos, é mais importante do que o dela como educadora dentro de sua casa.

Casais inteligentes sabem conversar sobre questões que envolvem dinheiro, recursos financeiros, aplicações, investimentos e gastos, usando o bom senso e o respeito às necessidades de cada um e os interesses mútuos do casamento, da sociedade. Acima de tudo estão os interesses do casamento.

É bom para o casamento? Então, eu sacrifico o meu desejo pessoal. É um investimento no casamento? Então, eu abro mão dos interesses particulares.

TRANSPARÊNCIA
O próximo ingrediente necessário para que uma sociedade dê certo e tenha uma vida longa é a transparência. Para isso, todos os envolvidos devem ser sinceros, abertos e corajosos, rejeitando o uso de máscaras, indiretas e subterfúgios.

Quando conversei com o meu amigo bem-sucedido, que tem outros dois sócios numa empresa que vem crescendo a cada dia, ele revelou como eles lidam com a questão da transparência. Ele me disse: “Nós nunca escondemos nada um do outro. Há anos trabalhamos juntos e nós temos um pacto aqui, e esse pacto é de sermos transparentes. Ninguém aqui, seja no prejuízo, seja no erro, seja numa falha, oculta isso dos outros dois. Durante nossa reunião com os três, a gente abre a questão, expõe o que está ocorrendo. É por isso que temos ganhado dinheiro. É por isso que a gente está construindo um grande patrimônio. É por isso que estamos nos tornando uma empresa referência no Brasil”.

E o que compõe a atitude de transparência numa sociedade? A transparência tem uma íntima relação com prestação de contas.

Você quer que o seu casamento seja à prova de divórcio? Você quer que o seu casamento seja à prova de tempestades? Você quer que o seu casamento seja à prova de adultério? Então seja transparente.

Não há segredo algum aqui. A questão é bem simples e na simplicidade encontramos um santo remédio para diversos males que assolam os casamentos hoje em dia. Não esconda nada do seu parceiro, não esconda informação alguma da sua parceira em relação a tudo aquilo que diz respeito à segurança e à estabilidade da sociedade de vocês. Dessa forma, vocês serão blindados contra todo mal que venha do lado de fora.

Diga para você mesmo(a) “se algo está acontecendo comigo e está pondo em risco a minha sociedade conjugal, eu vou contar para a minha mulher(marido)”. Antecipe-se ao problema sendo transparente, jogando aberto, limpo.

Eu posso dar exemplos que conheço e faça você uma avaliação pessoal da situação em que se encontra.

Conheci uma esposa que escondeu do seu marido as contas que ela fazia no comércio. Contas, contas, contas e mais contas. Quando ela contou tudo para o marido, imagine o que ele fez. O marido pediu ao seu patrão para mandá-lo embora, pois pensava que recebendo toda a indenização poderia quitar as dívidas que sua esposa havia feito. E veja você, nem toda a rescisão contratual que ele recebeu foi suficiente para pagar todas as contas que ela havia feito.

Pergunto: se logo no início da gastança que essa esposa promoveu, o marido tivesse sido informado, eles teriam chegado a uma situação-limite? Evidentemente que não!

Como tem sido a transparência no seu casamento em assuntos, como , a criação de seus filhos?

Sabe aqueles assuntos – a bem da verdade, aqueles “pepinos” – que seu filho ou sua filha adolescente trazem a você, naquela conversa a portas fechadas, dentro de “um cenário” da mais pura ingenuidade da parte dele, fazendo-se se passar por vítima… você tem sido transparente com o seu marido sobre o que acontece com os seus filhos?

Porque, se eu afirmo que ele não tem direito de sonegar à esposa o direito do desfrute do que ganha no seu trabalho, nesse aspecto da sociedade ele também tem o direito de participar das decisões sobre a educação de um filho ou filha, que é fruto de ambos. Mais que isso: além do direito, o marido tem o dever de ser ativo na criação e educação de seus filhos. Há, inclusive, papéis que são exclusivos do marido na criação dos filhos.

Vejo esposas que, a fim de ocultar a própria falha no processo da educação dos filhos, escondem do marido as ocorrências mais su-peitas. E quando o pai fica sabendo? Aí já se tornou caso de polícia. Aí já é preciso fazer chá de bebê. Aí já é tarde, porque não houve a transparência necessária, no tempo devido, quando tudo ainda poderia ter sido resolvido de maneira pacífica, sem traumas nem sequelas.

Que Deus os abençoe!

Josué Gonçalves é terapeuta familiar, escritor, pastor e apresentador do programa Família Debaixo da Graça, transmitido pela RedeTV!. Trabalha com o tema Família há 27 anos.