Princípios para a sustentação da família – parte 1

Ninguém melhor do que o idealizador da família, que é Deus, para dizer como ela deve ser e funcionar

Josué Gonçalves - 15/09/2018 08h17

Queridos amigos do Pleno.News, quero nesta e na próxima semana conversar com vocês sobre os princípios que sustentam uma família. Vamos juntos?

O casal é a espinha dorsal da família, e a família é a célula mater da sociedade. Com base nessas duas verdades, vamos rever quais são os aspectos funcionais da união conjugal, e como podemos desenvolver uma cultura familiar nutridora.

Lembre-se, ninguém melhor do que o idealizador da família, que é Deus (Salmo 127:1), para dizer como ela deve ser e funcionar. A Bíblia é “o manual” que ensina todos os passos para se construir um projeto de vida em família, que realmente vale a pena. Quando Deus planejou a família não a deixou para que o homem a edificasse da sua maneira, muito pelo contrário. Ele deixou princípios que devem nortear toda a construção do projeto. Vejamos quatro princípios imprescindíveis, que são como colunas de sustentação na edificação da família.

INDEPENDÊNCIA GRATA
“Por isso DEIXA o homem pai e mãe…” (Gênesis 2:24 a).

O casamento implica em romper o cordão umbilical da dependência dos pais. É um “deixar” em três aspectos importantes: geográfico, emocional e financeiro.

É sempre bom lembrar que o texto diz deixa, o que é bem diferente de abandona. A causa do fracasso de muitos relacionamentos é porque o marido ou a esposa, depois que se casaram, dão as costas aos pais, abandonando-os. Há um mandamento na Palavra que diz: “Honra teu pai e tua mãe … para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra” (Efésios 6:2,3).

Gosto de um pensamento que os agricultores usavam em uma campanha nos Estados Unidos: “Se não gosta do que está colhendo, olhe para trás e veja o que você plantou”. Isso se aplica aqui também. Essa independência tem que ser com muita gratidão: é um “deixar” para voltar, a fim de assistir, cuidar, abraçar e honrar aos pais. Quando essa volta não acontece, pode ser evidência de ingratidão dos filhos.

UM “DEIXAR” GEOGRÁFICO
Há um adágio popular muito conhecido que expressa uma grande verdade: “Quem casa, quer casa”. Não é prudente o casal, logo no início da vida a dois, ir morar com os pais. Aqueles que estão começando a caminhada conjugal precisam aprender e amadurecer, assumindo com responsabilidade todas as implicações da vida a dois, o que não acontece se eles estiverem morando com os pais. Seria interessante que o casal começasse a construção do seu projeto de vida conjugal em seu próprio “ninho – casa”.

A privacidade é fundamental para que a relação se desenvolva e os dois cresçam.

UM “DEIXAR” EMOCIONAL
A privacidade de um lar depende dos limites que o casal estabelece para que sejam respeitados. Onde não há respeito aos limites, não há privacidade. Alguns conflitos conjugais são, muitas vezes, expressão de conflitos de lealdade com a família de origem. Por isso, deve-se transformar os laços familiares para conseguir ligar-se ao parceiro e formar a base de uma nova família.

Os pais precisam entender que os filhos são temporários, mas que o casamento é permanente. Quando há compreensão dessa realidade, acaba a competição entre nora e sogra, e a convivência é facilitada. O segredo está no respeitar os limites que o casamento impõe em relação à família de origem.

UM “DEIXAR” FINANCEIRO
O que dizer dos pais que superprotegem o filho casado, bancando tudo? Sempre que os pais assumem todas as despesas, a tendência é eles sentirem-se donos do casamento do filho. Não seria esta uma das causas dos grandes conflitos em muitos casamentos? Os pais devem ensinar os filhos a pescar, e não passar a vida toda dando peixe nas mãos deles.

Tenho insistido nas minhas palestras com os jovens, que o casamento deve acontecer quando o casal tiver condição de se autossustentar, para que haja um “deixar” financeiro em relação aos pais. Não estou afirmando que os pais não devam ajudar os filhos em tempo de dificuldade. Mas sou contra o comodismo de muitos filhos e a insensatez dos pais que não ensinam os filhos a irem à luta. Casais que vivem na dependência financeira dos pais, por causa do comodismo, não crescem no relacionamento conjugal e se tornam um peso para a família.

UNIFICAÇÃO – ALIANÇA
“…e se UNE à sua mulher…” (Gênesis 2:24b).

O termo unir ou apegar (como em algumas traduções) lembra a mesma palavra hebraica usada no livro de Josué 23:8. Apegar aqui significa juntar, afeiçoar, adaptar, agarrar, unir, atar, conciliar, harmonizar, ligar, fundir, soldar, associar, colar uma parte na outra, esse é o sentido da união conjugal.

No livro de Malaquias, há um texto que descreve a seriedade do casamento aos olhos de Deus: “E vocês ainda perguntam: ‘Por quê?’ É porque o SENHOR é testemunha entre você e a mulher da sua mocidade, pois você não cumpriu a sua promessa de fidelidade, embora ela fosse a sua companheira, a mulher do seu acordo(aliança) matrimonial. Não foi o SENHOR que os fez um só? Em corpo e em espírito eles lhe pertencem. E por que um só? Porque ele desejava uma descendência consagrada. Portanto, tenham cuidado: ninguém seja infiel à mulher da sua mocidade”. “Eu odeio o divórcio”, diz o SENHOR, o Deus de Israel, “e também odeio o homem que se cobre de violência como se cobre de roupas”, diz o SENHOR dos Exércitos. Por isso, tenham bom senso; não sejam infiéis” (Malaquias 2:14-16).

É bom deixar claro que, o texto não diz que Deus odeia os divorciados, isto porque em determinadas situações a separação é como uma saída de emergência. Sem dúvida, se dependesse só de Deus, não haveria divórcio. Quando uma separação de casal acontece, ninguém ganha!

POR QUE DEUS ODEIA O DIVÓRCIO?
Porque o casamento foi planejado para ser uma união monógama (o ideal de Deus: um homem para uma mulher e vice-versa), exclusiva (fidelidade) e permanente (não é uma relação descartável). Ainda que muitos tentem provar o contrário, esse é o plano original de Deus para os homens.

Que Deus os abençoe!

Josué Gonçalves é terapeuta familiar, escritor, pastor e apresentador do programa Família Debaixo da Graça, transmitido pela RedeTV!. Trabalha com o tema Família há 27 anos. Seu trabalho pode ser conhecido no site Amo Família.

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