Os limites do pacto conjugal – parte 2

A história escrita por um casal tem limites. Mas é possível com fé, razão, oração e amor escrever histórias belíssimas!

Josué Gonçalves - 26/05/2018 08h00

Queridos amigos do Pleno.News, semana passada começamos a conversar sobre os limites do pacto conjugal hoje, quero terminar este assunto.

Casamento é uma longa conversa entremeada de disputa. (Robert Louis Stevenson)

Conversamos e eu afirmei que o casamento é um pacto que gera benefícios para as partes que o celebram. Mas para que isso aconteça alguns limites precisam ser estabelecidos.

O CASAMENTO É UMA UNIÃO MONOSSOMÁTICA
Um só corpo ou uma só carne. O casamento, de modo essencial, lá no seu âmago, tem o poder de tornar duas pessoas, dois corpos, dois seres em um só corpo, uma só carne. Quando nos casamos, tornamo-nos uma unidade indivisível, inseparável.

Você já encontrou na Bíblia alguma evidência de que pai e filho se tornam uma só carne? Você já encontrou na Bíblia um irmão com outro irmão (ou irmã) que se tornaram uma só carne? Você já encontrou na Bíblia nora e sogra que se tornaram uma só carne? Você já encontrou na Bíblia evidência de sogro e genro ou nora que se tornaram uma só carne? “Não” é a resposta para todas essas perguntas.

Segundo a Bíblia, a única relação na qual dois se tornam uma só carne é entre um homem e uma mulher − marido e esposa. O casamento leva duas pessoas de sexos opostos à unificação mais estreita que se possa imaginar, nos âmbitos físico, emocional, moral, ideal e espiritual.

O casamento é um relacionamento que está acima do relacionamento entre pais e filhos. O casamento é um relacionamento que está acima do relacionamento entre irmãos. O casamento é um relacionamento que está acima do relacionamento entre a Igreja e eu ou a Igreja e você, entre o pastor e você, entre seus irmãos e você.

O casamento só não está acima do relacionamento entre Deus e você.

Portanto, uma vez estabelecida a união, nenhum agente externo ao casal tem força ou poder que supere a força da unidade matrimonial. Imagine que agora, casados, marido e esposa se tornam um único “bloco”, uma unidade indivisível maior e mais resistente do que eram antes da união.

Isso é muito interessante, e é isso o que acontece no ambiente do matrimônio. A sogra, o sogro, os filhos, ninguém possui poder para penetrar a unidade estabelecida na união matrimonial.

Esse limite estabelecido também tem desdobramentos para o casal no modo de realizar as suas atividades. Estou refletindo sobre o planejamento de uma viagem ou da compra do primeiro carro, o planejamento para pouparem ou terem filhos, e sobre as demais decisões importantes. Há casais que fazem tudo separadamente:

  • cada um tem sua conta bancária,
  • cada um tem o seu carro,
  • cada um tem o seu banheiro,
  • cada um tem os “seus” amigos.

No entanto, não vejo espaço para esse procedimento quando leio na Bíblia que ambos se tornam uma só carne. É preciso rever esse conceito errado – e eu diria até mesmo antibíblico – de que cada um se vira como quer e como pode. Nada mais longe dos limites estabelecidos e planejados por Deus para um casal.

Se entenderem como o Senhor pretende que os casais vivam e se protejam dos ataques e influências externas, eles nunca, jamais, serão separados. Por meio do casamento vocês se tornaram uma só carne, uma união monossomática.

O CASAMENTO É UM PACTO INDISSOLÚVEL
Além da união estabelecida no ponto anterior, a união monossomática em que ambos se tornam uma só carne, o casamento tem outro limite posto por Deus para que o seu funcionamento aconteça da melhor maneira possível. O casamento é um compromisso para toda a vida.

Veja o que Jesus disse sobre isso: “Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe” (Mateus 19:6, NVI).

Quando o casamento foi instituído não havia lugar para separação. Essa possibilidade não fez parte da instituição do casamento. Você não encontra um só caso de divórcio nas páginas da Bíblia, como parte do plano de Deus. Essa era uma alternativa inexistente.

Viver um compromisso com a qualidade de uma aliança ou pacto, nos moldes que tenho demonstrado aqui, significa lealdade até a morte. Reflita sobre esta afirmação:

“Viver um compromisso de aliança significa lealdade até a morte”.

Um dos propósitos do casamento é refletir a imagem de Deus. Isto inclui a ideia de aliança indissolúvel e eterna entre Pai, Filho e Espírito Santo. Você consegue imaginar divergência e separação na Trindade? O Pai para um lado, o Espírito para outro e o Filho órfão? Isso “não entra” em nossa cabeça, não é mesmo?

Portanto, preservar o casamento como reflexo de uma instituição divina é o grande desafio da Igreja cristã hoje.

Em países como Estados Unidos, Bélgica e Inglaterra, o divórcio alcança 60% dos casamentos realizados. No Brasil, segundo os dados do IBGE (2008) a taxa de divórcio é 25% – um a cada quatro casamentos termina oficialmente em divórcio no Brasil. São índices alarmantes! E o grande desafio para a família cristã hoje é rejeitar a banalização do casamento e preservá-lo como instituição divina.

Criou-se um ditado popular que os casais dizem antes de se casarem: “Se não der certo, separe”. Nada mais negativo do que esse pensamento. A pessoa já entra derrotada no relacionamento, ou predisposta a abandonar o cônjuge na primeira discussão. É uma resistência à perseverança. É um desperdício de tempo, dinheiro, afeto e oportunidade. Se nossos avós pensassem assim, nunca saberíamos o que é uma festa de bodas de ouro.

Os casais contam belas histórias quando perseveram diante de todas as dificuldades, sabendo que cada uma delas é exterior ao casamento. Quando nos casamos fazemos juras de amor. Então, ou a pessoa é uma tremenda mentirosa, que disse amar só da boca para fora, ou ela não soube enfrentar uma adversidade passageira até vencer o problema e permanecer com a pessoa amada.

Quando olhamos e ouvimos histórias de casais que completaram bodas de prata ou bodas de ouro, por exemplo, ouvimos histórias fantásticas de superação, verdadeiras lições de vida, que podem ser aplicadas até mesmo na vida social, profissional e espiritual. A perseverança, a fé de que venceriam cada obstáculo, o exemplo de união e unidade, de sentido e propósito de vida − tudo isso só é possível se a linguagem da separação não fizer parte do vocabulário do casal e da família.

A separação não deve estar em nossos planos, porque a reconciliação faz parte do dever e do viver cristão. E saiba que a superação de uma grande dificuldade junto com o seu amor e com seus filhos (se os tiver) tem o poder de fortalecer ainda mais a sua relação, de unir com maior intensidade e prepará-los para desafios ainda maiores, para alturas ainda mais elevadas.

Quer contar uma boa história? Aprendam a superar as barreiras juntos. Dentro deste ponto, quero apresentar a você, leitor, o que chamo de:

TRÊS VERDADES IRREFUTÁVEIS SOBRE O DIVÓRCIO

PRIMEIRA VERDADE: O DIVÓRCIO NÃO FOI INSTITUÍDO POR DEUS
O casamento é fruto do coração amoroso de Deus. O divórcio é fruto do coração endurecido do homem. A Bíblia fala do divórcio, mas não o apoia.

Veja o que o próprio Jesus disse sobre o divórcio: “Moisés permitiu que vocês se divorciassem de suas mulheres por causa da dureza de coração de vocês. Mas não foi assim desde o princípio”(Mateus 19:8).

Deus instituiu o casamento, mas a perversão humana estabeleceu o divórcio. Não procure na Bíblia um amparo para o desejo de separação, pois a separação não representa a vontade de Deus.

Aprenda que, mesmo a Bíblia dizendo haver divórcio, não é este o propósito de Deus para o homem desde o Antigo Testamento, e o próprio Jesus reforçou essa posição no Novo Testamento.

SEGUNDA VERDADE: O DIVÓRCIO NÃO FAZ PARTE DA VONTADE DE DEUS
Embora a Bíblia lide com a questão da permissão do divórcio em casos de infidelidade e abandono (2 Coríntios 7), ele não é uma decisão única e obrigatória.

Há alternativa? Sim, e uma alternativa cristã: melhor do que o divórcio é o perdão e a restauração. Essa alternativa é possível, viável e muitos casais cristãos optam por ela com pleno sucesso.

Lidamos com a vida e suas ocorrências, e sabemos que, algumas vezes, uma viagem não segue o itinerário ideal. No entanto, quando se tem no coração que o destino a ser seguido aponta em determinada direção, mesmo havendo um desvio de percurso, é possível retornar à estrada principal e seguir em frente.

Quando há perdão, o Senhor age e restaura, cura as feridas e faz descer o seu bálsamo sobre o casal.

TERCEIRA VERDADE: O DIVÓRCIO É A QUEBRA DE UMA ALIANÇA FEITA NA PRESENÇA DE DEUS
O casamento é uma aliança que tem Deus por testemunha maior e como parte integrante no pacto. Quando nos casamos, o próprio Deus entra em aliança conosco, e é ele quem promove o sucesso do nosso casamento, pois foi Ele quem estabeleceu os limites e os princípios que regem o matrimônio.

Romper uma aliança dessa natureza é romper com um pacto realizado juntamente com o Senhor.

E vocês ainda perguntam: “Por quê?” É porque o Senhor é testemunha entre você e a mulher da sua mocidade, pois você não cumpriu a sua promessa de fidelidade, embora ela fosse a sua companheira, a mulher do seu acordo matrimonial.

Não foi o Senhor que os fez um só? Em corpo e em espírito eles lhe pertencem. E por que um só? Porque ele desejava uma descendência consagrada. Portanto, tenham cuidado: “Ninguém seja infiel à mulher da sua mocidade” (Malaquias 2:14,15).

A história escrita por um casal tem, como vimos, limites. Quando sentamos para escrever algo, sabemos que a folha de papel tem seus limites. Não podemos escrever sem levar em conta onde o papel acaba. Quando chegamos ao final da linha, vamos para a linha de baixo e avançamos na história. E há histórias belíssimas!

A redação também tem seus limites: existe o limite das regras gramaticais, regras de ortografia, acentuação e outras. Não podemos escrever uma história de qualquer jeito, pois corremos o risco de não sermos compreendidos pelos leitores.

Quando escrevemos, respeitamos as regras e os limites da língua portuguesa, pois somente assim outras pessoas podem ler, compreender e apreciar o que escrevemos. É assim que surge uma boa história.

Que Deus os abençoe!

Josué Gonçalves é terapeuta familiar, escritor, pastor e apresentador do programa Família Debaixo da Graça, transmitido pela RedeTV!. Trabalha com o tema Família há 27 anos.