Opinião Josué Gonçalves: Vigie sempre os movimentos do seu coração…

Guarde o seu coração, pois é dele que procede vida

Josué Gonçalves - 10/03/2018 08h00

Prezado leitor do Pleno.News, hoje quero abordar um tema bem delicado.

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida”
(Provérbios 4:23).

Ela foi traída pelo seu coração. Você já ouviu falar em Potifar, um dos homens de confiança de Faraó? (Gênesis 39). Potifar comprou um escravo que se chamava José. Este era um jovem muito bonito, gentil, inteligente, cheio de sabedoria e temente ao Senhor. Ele fora comprado para trabalhar na casa de Potifar. Por causa da sua competência e da bênção do Eterno, que sempre estava sobre a sua vida, José passou a chamar a atenção do seu senhor mesmo sendo um escravo. Isto porque em tudo o que ele se propunha a fazer, o Eterno Deus o prosperava.

Um dia, quando Potifar precisou de um homem para administrar todos os bens que possuía, lembrou-se de José e o promoveu como mordomo. A partir daquela data, ele seria um escravo livre, administrando tudo o que o patrão possuía, menos a sua esposa.

Depois que foi promovido, José passou a ter um problema: a esposa do patrão apaixonou-se por ele. Ela não vigiou os movimentos da sua alma e foi dominada por um sentimento de paixão tão intenso que fez com que um dia ela olhasse sedutoramente para José e lhe ordenasse: “… Deita-te comigo” (Gênesis 39:7). Ela estava decidida a se entregar a ele, importunando-o todos os dias (Gênesis 39:10). Ao perceber que ele não lhe dava ouvidos e estava firme no seu propósito de não ceder à tentação por causa da sua lealdade a Deus e ao patrão, a Bíblia diz que: “…certo dia, veio ele a casa para atender aos negócios; e ninguém dos de casa se achava presente. Então ela o pegou pelas vestes e lhe disse: ‘Deita-te comigo’; ele, porém, deixando as vestes nas mãos dela, saiu fugindo para fora” (Gênesis 39:11,12). José não permitiu que o seu coração fosse dominado pelo mesmo sentimento que dominava o coração daquela mulher.

O certo é que qualquer pessoa dominada por uma paixão doentia age sem pensar nas consequências que são muitas vezes irreparáveis.

O sentimento que nasceu e se desenvolveu na alma da esposa de Potifar pode brotar e crescer dentro de qualquer pessoa, pois ninguém está livre dessa possibilidade. Quando tratamos sobre os envolvimentos extraconjugais, a pergunta que muitos fazem é: “Como nasce esse sentimento que leva as pessoas a fazer todo tipo de loucura?”.

Tudo pode começar com um simples “flerte”… Conheci a história de uma jovem esposa, que não estava vivendo um bom momento no seu casamento e se envolveu com um homem que morava no mesmo prédio que ela. Depois de alguns encontros extraconjugais às escondidas, ela percebeu que estava grávida do amante e não tinha como esconder do marido. Foi uma tragédia conjugal com prejuízos irreparáveis.

Tudo começou quando ela entrou no elevador do prédio onde morava e encontrou aquele rapaz galanteador. Naquele dia, por alguma razão, ela tinha se preocupado um pouco mais em se arrumar. Cuidou do cabelo, vestiu uma roupa que a deixava mais sedutora, cuidou da maquiagem etc. Ao vê-la entrando no elevador, o rapaz a olhou de forma maliciosa e disse: “Como você está linda!”. Ela sorriu, mas a maneira como ela agradeceu o elogio deixou transparecer que havia gostado do galanteio e que seria bom ouvi-lo novamente. O rapaz, ao perceber que houve uma abertura e que ela estava vulnerável e receptiva, no outro dia telefonou para a jovem senhora a fim de continuar o jogo de sedução que havia começado no elevador no dia anterior. Ela não apenas atendeu, mas também demonstrou que estava gostando de brincar na “zona de perigo”.

Os telefonemas se tornaram frequentes, as declarações de apaixonados se tornaram explícitas, ele desejava possuí-la e ela, de ser possuída. Não demorou muito para que eles fossem para um motel, consumando o adultério que terminou em uma gravidez.

Observe como a maioria dos casos extraconjugais começa com muita sutileza. Bastou uma frase: “Como você está linda!”.

Foi por isso que Jesus disse: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação…” (Mateus 26:46). Lembre-se, todo envolvimento começa com gestos, atitudes, palavras que aparentemente são inofensivas. Pessoas compromissadas, casadas, “aliançadas” (que estão unidas em aliança, que simboliza o vínculo conjugal) devem estabelecer um limite no seu relacionamento com o sexo oposto e nunca brincar com aquilo que pode se tornar numa grande armadilha contra si mesmas. É por essa razão que devemos com frequência fazer uma viagem em nosso interior para verificar os movimentos da nossa alma e supervisionar os caminhos que estão sendo construídos em nosso coração.

Quando o marido ou a esposa percebem que alguma pessoa está lhe chamando muito a atenção e provocando constantes pensamentos de infidelidade é necessário tomar uma atitude radical. Nas minhas palestras para casais sempre aconselho: “Busque ajuda antes que seja tarde demais”. Ninguém vence sozinho. É necessário contar com a ajuda de pessoas que podem ser instrumentos de Deus em nosso favor.

Geralmente, quando esse envolvimento acontece, a sensação que a pessoa tem é a de que já não ama mais o cônjuge como amava antes. Isso pode ocorrer na empresa, entre o diretor e a secretária; entre os colegas de trabalho; na faculdade, entre professor(a) e aluna(o) ou colegas de classe; na própria família, com a convivência de casais que costumam sempre estar juntos; na igreja, entre pastor e quem o assessora; entre pessoas do grupo de louvor; no consultório, entre o(a) médico(a) e a(o) paciente; o(a) dentista e a(o) paciente; na loja, entre o(a) vendedor(a) e o(a) cliente etc. As situações em que pode acontecer o jogo perigoso da sedução são as mais diversas; ninguém está imune a essa possibilidade.

O que você deve fazer para vencer a tentação de se envolver com outra pessoa, evitando a destruição do seu relacionamento conjugal? Como se livrar de alguém que, de repente, começa a lhe provocar, como aconteceu com José, no Egito?

Vencendo a tentação do adultério

Cuidado com o excesso de autoconfiança. Nunca diga: “Comigo isso nunca vai acontecer”. A autoconfiança foi a causa do fracasso de Pedro diante da tentação de negar a Jesus (Mateus 26:33,34). Consciente de que ninguém está livre dessa possibilidade, devemos orar sempre: “Senhor, nunca deixe faltar temor em nosso coração e ensina-nos a viver com sabedoria e prudência”.

Nunca brinque na “Zona de Perigo”. A queda de Sansão é a história de um homem que brincou de flertar com o pecado (Juízes 16:1-31). Jesus disse aos seus discípulos: “…a carne é fraca” (Mateus 26.41). Todas as pessoas que cederam à tentação e praticaram o adultério cometeram o mesmo erro de Sansão, ou seja, brincaram onde e com quem não deviam brincar. Se a “carne” é fraca, todo cuidado é pouco.

Sempre preste conta ao cônjuge. A Bíblia diz: “Confessai as vossas culpas uns aos outros; e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tiago: 16). É necessário que o(a) companheiro(a) saiba o que está acontecendo na vida do outro. Uma vida não supervisionada não é vivida com responsabilidade. Todos nós precisamos viver conscientes de que temos que responder a alguém sobre os nossos atos.

Peça ajuda quando perceber algum sinal de perigo rondando. O casal precisa construir uma relação com base na verdade (Provérbios 10:9), para que quando vier a tentação um tenha confiança no outro para abrir o coração, buscando ajuda. Há situações na vida em é impossível vencer sozinho. Quando o cônjuge procura ser um agente de cura para o companheiro, o resultado final é a vitória sobre a tentação de pecar.

Cultive o seu casamento como se faz com um jardim. Não se pode negligenciar o casamento e esperar que ele por si só floresça e frutifique. Invista no seu relacionamento conjugal, dê a atenção necessária. Jamais descuide das barreiras de proteção que devem estar em torno do seu casamento.
Não confie no cônjuge a ponto de achar que ele(a) está imune ao pecado do adultério. A sua confiança no cônjuge deve ser inteligente, equilibrada e sensata. Confiar não significa ver o outro como um “anjo incapaz de pecar” só porque ele(a) é uma pessoa seriamente comprometida com Deus. Por mais que o seu cônjuge seja sério e espiritual, ajude-o(a) a não pecar.

Já aconselhei casais que caíram em pecado porque não foram criteriosos em relação a quem deveriam receber como “amigos” dentro de casa ou até mesmo porque não foram cuidadosos com quem eles se relacionavam. Quem ama não tem ciúmes doentios, mas sabe cuidar, protegendo muito bem a pessoa amada. A esposa deve ajudar o marido a enxergar o que muitas vezes ele não percebe e que, no futuro, pode se tornar um grande problema. E o marido deve fazer o mesmo.

Ao perceber qualquer comportamento estranho do cônjuge, não tenha medo de confrontá-lo. A verdade não tem medo da luz. Pessoas responsáveis respondem perguntas difíceis sobre os seus atos. A confrontação quase sempre provoca tensão, mas é o melhor caminho para livrar o outro de um tropeço moral que, via de regra, torna-se fatal no relacionamento. Quantos casamentos teriam sido salvos se o cônjuge tivesse confrontado o outro na busca de livrá-lo do pior!? Infelizmente, na maioria das vezes em que ocorre um adultério, só depois que tudo vem à tona é que o cônjuge diz: “Bem que eu notei, vi, percebi, desconfiei… Mas não tive coragem de perguntar, de ir atrás, de buscar a verdade.” Lembre-se: É sempre mais fácil vencer a tentação quando o processo está no início.

Cuidado com a internet. De todos os avanços tecnológicos, a internet é uma das mais impressionantes invenções do homem. A internet foi um fator determinante para a globalização, pois tudo passa por essa rede virtual fantástica. Porém, quando esse meio de comunicação é usado para o mal, o prejuízo é tão grande ou maior quanto os benefícios que ela proporciona. O número de crianças, adolescentes, jovens e casais que estão se perdendo a partir do Facebook, das salas de bate-papo, dos recados através do WhatsApp e de outras janelas virtuais é assustador. Quando se trata de internet, é preciso tomar muito cuidado para não usar de forma errada esse instrumento tão poderoso. O melhor lugar para se ter um computador em casa é na sala ou em uma espaço onde o marido supervisiona a esposa e vice-versa.

Conheci um homem casado que, não conseguindo vencer a tentação de visitar páginas impróprias na internet e decidiu falar sobre isso com a sua esposa. Os dois acabaram tomando uma atitude radical: sempre que ele precisasse, ela iria acessar a internet junto com ele; pois assim, a esposa, que não tinha esse problema, poderia ajudá-lo a vencer a tentação de conviver com aquilo que poderia destruir o casamento deles.

A Bíblia diz que é melhor serem dois do que um, porque o cordão de três dobras não se quebra com facilidade (Eclesiastes 4). Foi por isso que Jesus disse, vigiai e orai…

Josué Gonçalves É terapeuta familiar, escritor, pastor e apresentador do programa Família Debaixo da Graça, transmitido pela RedeTV!. Trabalha com o tema Família há 27 anos.