Opinião Josué Gonçalves: O que você acha que mais está faltando em seu casamento?

Romantismo, cumplicidade, bons momentos, amizade, dinheiro, respeito, parceria, comprometimento?

Josué Gonçalves - 21/04/2018 08h00

Caro leitor do Pleno.News, quero lhe lembrar que nem só de flores e versos vive um casamento. Já pensou nisso?

Eu fiz uma enquete no site do nosso ministério, com a seguinte pergunta: “O que você acha que mais está faltando em seu casamento?”. Das 773 pessoas que participaram, 23% responderam que está faltando “romantismo”. É claro que todos nós queremos um relacionamento com poesia, flores, presentes, declarações de amor, surpresas agradáveis etc. Porém, em uma construção, o amor romântico é apenas o ornamento, a decoração, a pintura, os vasos, as plantas, as flores, os quadros na parede, os tapetes etc. Tudo isso é necessário em uma casa, do contrário a casa fica sem graça, sem vida, sem alegria, sem beleza.

Contudo, se o amor romântico é a ornamentação que torna a construção mais bonita e alegre, o amor sacrificial é o alicerce, a fundação. De onde você está agora, não é possível enxergar o alicerce dessa construção, mas o amor sacrificial é o que sustenta e dá segurança.

A segurança de um relacionamento conjugal depende da profundidade do amor sacrificial do casal. Foi por isso que o apóstolo Paulo escreveu: “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou (na cruz) por ela…” (Efésios 5:25). O que determina o sucesso ou o fracasso de um casamento quando o casal experimenta a força dos temporais da vida, é o amor sacrificial.

Há uma estatística que diz que, quando uma doença grave atinge a esposa, colocando-a em uma cama até a morte, o homem tende a “pular do barco” no meio do caminho, deixando-a morrer sozinha. Essa mesma pesquisa mostra que a mulher, na maioria das vezes, segue com o marido doente até o fim. Por quê? Falta profundidade do amor-sacrifício. Apesar dessa estatística, eu já vi homens sofrerem ao lado da esposa até o ultimo momento, amando-a sacrificialmente.

Em meu casamento, eu já vivi um tempo onde o nosso amor sacrificial foi testado. No mês de janeiro do ano de 2006, quando voltamos de férias, eu e minha esposa fomos ao médico para saber sobre o resultado de um exame que ela havia feito antes de viajar. Para o nosso desespero, o resultado que o médico nos passou era que ela estava com um tumor maligno de três centímetros no seio direito.

Lembro-me como se fosse hoje, quando o médico começou a desenhar em um papel, mostrando-nos a gravidade e a dimensão do problema. Foi difícil acreditar que tudo aquilo estava acontecendo conosco. Ele disse que seria um ano onde tudo teria que ser alterado, por causa da cirurgia, da quimioterapia e da radioterapia, do tratamento em geral. Após ouvirmos tudo aquilo, saímos da sala em silêncio. Ao chegar no carro, choramos intensamente sem saber o que dizer um para o outro. Quando me refiz emocionalmente, liguei o carro e sai em direção à nossa casa.

No caminho, na rodovia Fernão Dias, parei o carro debaixo de uma árvore para orarmos. Foi a oração mais difícil que já fiz, porque não estávamos orando para brigar com Deus, mas para reconhecer sua soberania e pedir graça para atravessarmos aquele deserto. Depois de orarmos, eu tinha diante de mim a oportunidade para declarar o meu amor sacrificial à minha esposa. Após a oração, eu segurei na mão dela e disse:

– Durante todo o tempo que for necessário para o tratamento, vou provar que o meu amor por você não é apenas romântico, mas sobre tudo, sacrifical.

O que eu estava tentando dizer para ela era que eu estaria ao seu lado, com cabelo ou sem cabelo, isto porque a quimioterapia faria cair todo os pelos do corpo. Estaria ao seu lado com encontros sexuais semanais ou mensais, porque o tratamento provocaria um mal-estar quase insuportável, o que nos obrigaria a nos abstermos sexualmente por um bom tempo.

O certo é que foram quase 12 meses de tratamento. Quantas vezes quando eu acordava, ela já tinha acordado bem antes de mim e estava com o rosto molhado de lágrimas. Eu ministrava orando e fazendo um carinho em seu rosto, depois lia um Salmo e cantava o verso de um hino que diz:

Se tu minh’alma, a Deus suplica,
Espera N’ele, confiante fica,
Em tuas promessas que são mui ricas
pra te valer!
Por que te abate, oh minh’alma
Espera nele, com fé e calma!
Jesus de todos os teus males salva,
E te abençoa dos altos céus!

Com essa ministração de amor sacrificial, ela dormia mais um pouco. Foram meses viajando para ministrar em eventos para casais sem tê-la ao meu lado, deixando-a aos cuidados de pessoas amigas. A prova passou, hoje ela está curada, já fez por duas vezes todos os exames solicitados pelos médicos, e o resultado foi que sua saúde está ótima! Amar quando tudo vai bem, é fácil, o grande desafio é amar quando tudo parece lutar contra nós. Após atravessar aquele deserto, saí do outro lado mais doce, mais sensível, mais compreensivo, mais maduro, mais casado, mais romântico! Hoje voltamos a viajar juntos, namorar, brincar e curtir os nossos filhos com muita alegria.

O que quero lhe dizer é que Não basta se preocupar exageradamente com a decoração da casa, se não houver investimento significativo no alicerce. Só amor romântico não basta, é preciso amor sacrificial!!!

Josué Gonçalves É terapeuta familiar, escritor, pastor e apresentador do programa Família Debaixo da Graça, transmitido pela RedeTV!. Trabalha com o tema Família há 27 anos.