O poder do perdão – parte 2

Por meio do perdão alcançaremos vitórias para nós e nossa família

Josué Gonçalves - 30/06/2018 08h00

Queridos amigos do Pleno.News, semana passada começamos a refletir sobre o poder da graça no relacionamento conjugal e familiar. Hoje, quero terminar essa reflexão. Vamos juntos?

“Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas” (Mateus 6:15).

POR QUE DEVEMOS PERDOAR?
Um dia, Pedro perguntou para Jesus se a quantidade de vezes que ele deveria perdoar o próximo era sete vezes. Jesus respondeu que era setenta vezes sete (Mateus 18:21,22). O que Jesus quis dizer para Pedro, é que na graça não existe contabilidade, devemos perdoar quantas vezes for necessário.

Vamos ver cinco razões porque devemos perdoar sempre que for necessário.

Quem não perdoa não pode ser perdoado. Nos seus ensinos, Jesus insistiu em dizer: “Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas” (Mateus 6:14,15).

A prática do perdão é algo que devemos levar muito a sério, porque é uma questão de salvação ou perdição eterna. Para chegar ao céu, obrigatoriamente todos tem que passar pela porta estreita do perdão. Não perdoar é muito perigoso!

Quem não perdoa se coloca debaixo do juízo de Deus.
Jesus contou uma parábola em Mateus 18:23-35 para mostrar como Deus trata aqueles que foram perdoados, mas não liberam perdão.

Na parábola, um homem devia dez mil talentos, o equivalente a trezentos e cinquenta mil quilos de ouro. Ou seja, uma divida impagável. Esse homem implorou, clamou por misericórdia e foi perdoado.

Ao sair dali perdoado, ele encontrou um companheiro que lhe devia cem denários, o equivalente a cem dias de trabalho. O que ele fez? “Agarrou-o e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Pague-me o que me deve! ’ Então o seu conservo caiu de joelhos e implorou-lhe: ‘Tenha paciência comigo, e eu lhe pagarei’. Mas ele não quis. Antes, saiu e mandou lançá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Quando os outros servos, companheiros dele, viram o que havia acontecido, ficaram muito tristes e foram contar ao seu senhor tudo o que havia acontecido. Então o senhor chamou o servo e disse: ‘Servo mau, cancelei toda a sua dívida porque você me implorou. Você não devia ter tido misericórdia do seu conservo como eu tive de você? ’ Irado, seu senhor entregou-o aos torturadores, até que pagasse tudo o que devia. Assim também lhes fará meu Pai celestial, se cada um de vocês não perdoar de coração a seu irmão“. (Mt 18:28-35 – grifo meu).

Quem não perdoa em vez de pedir misericórdia, chama juízo sobre a sua vida.
Lembre-se: a forma como tratamos o nosso ofensor, Deus irá nos tratar.

Quem não perdoa se mantém algemado ao ofensor.
Um judeu, antes de se mudar de Israel para os EUA, reuniu a família toda e disse:

– Eu liberando perdão para Hitler.

Ninguém entendeu e acharam que era uma decisão tola, porque Hitler matou milhões de judeus. Mas ele respondeu:

– Essa é a única forma de eu não carregar esse assassino comigo.

O perdão nos liberta do ofensor. José, filho de Jacó, não foi vencido e nem destruído pelo ódio, ressentimento, mágoa e desejo de vingança, porque praticou o principio do perdão. Quando nasceu o seu primeiro filho, ele colocou o nome de Manassés, que significa Deus me fez esquecer (Gênesis 41:51).

Quem não perdoa não pode orar.
O apóstolo Pedro, ao escrever sobre relacionamento conjugal, disse: “Do mesmo modo vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas com honra, como parte mais frágil e co-herdeiras do dom da graça da vida, de forma que não sejam interrompidas as suas orações” (1 Pedro 3:7).

Quando o nosso relacionamento em família fica comprometido por falta de perdão, as nossas orações nascem mortas. É por isso que Jesus nos ensinou a orar assim: “Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores” (Mateus 6:12).

O perdão é a chave que mantém o coração de Deus sempre aberto para nos ouvir.

Quem não perdoa não pode adorar.
“Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta” (Mateus 5:23,24).

É impossível Deus aceitar adoração de um coração carregado de mágoa, ressentimento, ódio, ira e desejo de vingança.

Por que perdão e adoração são inseparáveis?

  1. Sem perdão não há unidade, e sem unidade não podemos adorar;
  2. Sem perdão não há vida de Deus, mortos não adoram;
  3. Sem perdão o orgulho prevalece, Deus abate os soberbos da sua presença;
  4. Sem perdão não permitimos ser controlados pelo Espírito Santo, e sem o Espírito Santo é impossível adorarmos ao Senhor;
  5. Sem perdão colocamos Jesus para o lado de fora e Ele é a razão maior da nossa adoração.

Quem não perdoa adoece.
O apóstolo Paulo detectou esse problema na igreja de Corinto, quando escreveu: “Por isso há entre vocês muitos fracos e doentes, e vários já dormiram” (1 Coríntios 11:30).

A falta de perdão é uma das causas das doenças psicossomáticas. Por quê? Não perdoar gera amargura e amargura prolongada causa efeitos físicos como: úlceras, pressão alta, descargas de adrenalina (por causa da associação com a ira).

Não perdoar dá ao diabo uma reivindicação legal para deprimir a pessoa, e a depressão pode levar à morte, ao suicídio.

Ao escrever para os coríntios, o apóstolo Paulo explica porque ele estava sempre pronto para perdoar. “Se vocês perdoam a alguém, eu também perdoo; e aquilo que perdoei, se é que havia alguma coisa para perdoar, perdoei na presença de Cristo, por amor a vocês, a fim de que Satanás não tivesse vantagem sobre nós; pois não ignoramos às suas intenções” (2 Coríntios 2:10,11– grifo meu).

Não perdoar pode levar a pessoa à depressão. A depressão pode abrir uma porta para a opressão maligna que pode terminar em possessão. Observe que Paulo disse que, uma das razões porque devemos perdoar, é para que Satanás não leve vantagem sobre nós.

COMO DEVEMOS PERDOAR
Se pudéssemos perguntar para o apóstolo que escreveu a maior parte do Novo Testamento, Paulo, “Como devemos perdoar?”. Certamente ele responderia como escreveu aos cristãos de Efésios: “Perdoem como Deus perdoou vocês em Cristo” (Colossenses 3:13).

Vejamos como é o perdão de Deus para conosco:

O perdão deve ser incondicional.
“Sou eu, eu mesmo, aquele que apaga suas transgressões, por amor de mim, e que não se lembra mais de seus pecados” (Isaías 43:25).

Quando Jesus restaurou Pedro naquele encontro às margens do Mar de Tiberíades (João 21:15-19), ele não disse: “Pedro eu te perdoo, mas que seja a ultima vez”; ou,”eu te perdoo porém não é possível continuar andando junto”. O perdão de Jesus para Pedro foi incondicional e é assim que devemos perdoar.

O perdão deve ser completo.
“Se pecar contra você sete vezes no dia, e sete vezes voltar a você e disser: ‘Estou arrependido’, perdoe-lhe” (Lucas 17:4).

O número sete na Bíblia nos fala de completude. Deus não perdoa parcialmente, seu perdão é completo e é assim que deve ser o nosso perdão.

O perdão deve ser definitivo.
“De novo terás compaixão de nós; pisarás as nossas maldades e atirarás todos os nossos pecados nas profundezas do mar” (Miqueias 7:19). “Porque eu lhes perdoarei a maldade e não me lembrarei mais dos seus pecados” (Hebreus 8:12).

Deus nos perdoa definitivamente. E é assim que deve ser o nosso perdão.

O escritor Marcos de Souza Borges diz que perdoar é escolher o caminho da cruz. É só da cruz que podemos dizer as mesmas palavras que Jesus disse aos seus algozes: “Pai perdoa-os porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34).

Pensem nisso e que Deus os abençoe!

Josué Gonçalves é terapeuta familiar, escritor, pastor e apresentador do programa Família Debaixo da Graça, transmitido pela RedeTV!. Trabalha com o tema Família há 27 anos.