O poder do perdão – parte 1

Quem acha que é fácil perdoar, é porque ainda não passou pelo caminho da traição, rejeição, agressão e etc

Josué Gonçalves - 23/06/2018 08h00

Queridos amigos do Pleno.News, hoje e na próxima semana quero conversar com vocês sobre o poder da graça na família. Vamos juntos?

“Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas” (Mateus 6:15).

Não é difícil falar sobre o perdão, o desafio é perdoar. Quem acha que é fácil perdoar, é porque ainda não passou pelo caminho da traição, rejeição, agressão etc.

O perdão é o tema central do Cristianismo e é a razão de ser da cruz de Cristo. A morte de Jesus foi o preço pago para que o perdão se tornasse uma realidade na vida de todos aqueles que aceitassem o convite da graça para voltar a se relacionar com Deus com o Filho.

O escritor Philip Yancey disse que: “O perdão é a única alternativa que pode deter o ciclo do ódio, da culpa e da dor”. Estudar sobre o perdão, é buscar compreender o que significado da graça de Deus dispensada a todos nós.

DEFININDO O QUE É PERDÃO
Jesus, disse: “E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas” (Mc 11:25 – grifo meu). Quando compreendemos com clareza o que significa perdoar, podemos praticar esse princípio que é determinante para a nossa saúde espiritual, emocional e física.

Perdoar é dar algo de valor a quem não merece. O perdão é a encarnação da graça, disse um pregador. O que é graça? É um favor não merecido.

Na parábola do filho pródigo, o pai ofereceu ao filho, que havia saído e desperdiçado toda a herança vivendo irresponsavelmente, não merecia: PERDÃO (Lucas 15:11-32).

Certa mulher levou uma cesta de presentes para um filho de uma família muito pobre. Na cesta, havia roupas, sapatos, meias e brinquedos. O pai do garoto atendeu a mulher no portão e disse:

– Meu filho é rebelde, indisciplinado e sempre arruma confusão na rua, ele não merece receber esse presente.

Ao que a mulher respondeu:

– Meu senhor, ele não merece, mas precisa e eu quero oferecer a ele.

Assim é o perdão, um presente que o ofensor não merece, mas precisa. (Efésios 2:8).

O perdão é a faxina do coração. Perdoar é jogar o lixo emocional fora. O apóstolo Paulo ensinou os irmãos de Éfeso sobre a necessidade de fazer essa faxina no coração, dizendo: “Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Efésios 4:31,32 – grifo meu).

Quem não perdoa transforma o coração em uma lata de lixo emocional. É por essa razão que não devemos levar ira, mágoa, rancor, ressentimento para a cama, pois todas essas coisas são lixos emocionais (Efésios 4:26). E carregar esse lixo provoca câncer na alma.

Perdoar é transferir a “conta” para as mãos de Deus. A Bíblia diz: “Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: ‘Minha é a vingança; eu retribuirei’, diz o Senhor” (Rm 12:19-NVI).

Perdoar é deixar nas mãos de Deus a conta do ofensor. Quando entregamos nas mãos de Deus a conta, estamos reconhecendo que só o Senhor tem o direito de julgar, a nós cabe simplesmente perdoar. Muitos dizem, fui ofendido, prejudicado, ferido e perdoei, porém, como fica o ofensor? Se o ofensor se arrepender, ele será graciosamente perdoado pelo Senhor e consequentemente a conta será rasgada, porém se não houver arrependimento, Deus o julgará. Lembre-se, Deus é amor mas também é justiça.

Perdoar é vencer o mal com golpes de bondade. Jesus ensinou esse princípio no Sermão da Montanha, quando disse: “Mas eu lhes digo: ‘Amem os seus inimigos (perdoe) e orem por aqueles que os perseguem, (perdoe)'” (Mateus 5:44).

O apóstolo Paulo também praticava esse princípio ensinado por Jesus, ele escreveu aos romanos: “Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; (perdão) se tiver sede, dê-lhe de beber (perdão). Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele. Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem (perdoe!)” (Romanos 12:20,21).

Há uma história que ilustra bem o que significa vencer o mal com golpes de bondade. Certa irmã, muito piedosa, no dia do seu aniversário recebeu de uma vizinha que não gostava de “crente”, um presente muito estranho. Ela recebeu uma cesta cheia de estrume de cavalos e gados.

Depois de alguns dias, a vizinha fez aniversário e a irmã resolveu responder a provocação com um presente. Ela pediu para a sua empregada, pegar as flores mais bonitas do seu jardim e preparar uma linda cesta. Depois, ela escreveu um cartão e colocou na cesta de flores e enviou para a vizinha. Quando a vizinha viu o presente, sorriu e disse:

– Como essa senhor é tola, eu enviei estrume de presente e ela me enviou flores.

Isto porque ela ainda não tinha lido o cartão. Quando ela abriu o cartão e leu a mensagem, estava escrito: “Cada um dá o que tem!”.

É assim que jogamos “brasas acessas na consciência do inimigo” provocando o milagre da graça na vida do inimigo.

Perdoar é renunciar o passado para construir o futuro. A falta de perdão torna a pessoa prisioneira do seu passado. O profeta Isaías, disse: “Esqueçam o que se foi; não vivam no passado. Vejam, estou fazendo uma coisa nova! Ela já está surgindo! Vocês não o percebem? Até no deserto vou abrir um caminho e riachos no ermo” (Isaías 43:18,19).

O passado não pode roubar nossa alegria de viver no presente e nem comprometer a construção do nosso futuro, por isso devemos perdoar. Como afirmei no incio, o perdão é amnésia do amor, a faxina dá coragem e a cura para as memórias amargas. Perdoar não é esquecer, mas lembrar e não sentir mais dor.

Pensem nisso e que Deus os abençoe!

Josué Gonçalves é terapeuta familiar, escritor, pastor e apresentador do programa Família Debaixo da Graça, transmitido pela RedeTV!. Trabalha com o tema Família há 27 anos.