Ideologia ou doença?

A ideologia não pode roubar da pessoa o bom senso, se for assim, ela se torna uma doença

Josué Valandro Jr. - 05/10/2018 09h33

Estava em São Paulo e peguei um táxi. O motorista deve ter uns 45 anos e trabalha de 10 a 12 horas por dia no trânsito para sua sobrevivência, como disse ele. Pessoa muito simpática, atenciosa, não foi difícil começarmos a conversar quando de repente surgiu o assunto política. Nesse momento, suas feições se modificaram e um ar de decepção tomou a conversa. Até a fala ficou mais pausada e envolta em um ar de reflexão.

Ele começou a falar sobre seu apoio irrestrito, por anos, ao ex-presidente e agora presidiário Lula, por grande corrupção. Declarou que começou a apoiar uma ideologia de um mundo melhor, que passou a viver isso até nas roupas que usava. Mas que aquilo foi se tornando uma doença e ele era tão aliançado com a ideologia do PT que foi capaz de romper relacionamentos com amigos e parentes por causa desse pensamento marxista.

Me contou que até emprego perdeu por conta de discussões apoiando pessoas do seu partido político do coração, mesmo quando os fatos mostravam claramente a corrupção piorada que estes políticos representaram para o país. Ao fim da conversa percebi que ainda há dores de decepção naquele trabalhador do Brasil.

Saí do táxi com uma indagação: Até que ponto o Brasil está morrendo por uma doença que alguns ainda acreditam ser ideologia?

Ideologia não pode roubar da pessoa o bom senso. Não se pode ser enganado por um discurso bonito se, na prática, os que se apresentam como os bons, repetem e até pioram os defeitos dos que eram chamados de maus.

A corrupção sempre aconteceu no país? Claro que sim! Mas nunca foi tão organizada, tão sistêmica, tão ambiciosa e com viés de autoritarismo como se viu nos governos petistas. Até onde é ideologia e até onde é doença apoiar os mesmos que já fracassaram?

Vamos a um exemplo. Pensemos nas pessoas que apoiam a legalização das drogas. É um pensamento que pode ser apresentado em um estado democrático. Mas o problema é que essas pessoas são capazes de engolir a corrupção e as iniciativas ditatoriais de partidos de esquerda simplesmente porque querem que a droga seja legalizada. Pensam que se o partido apoia sua causa, não importa mais nada do que façam. Só esquecem que eles têm filhos, que precisam de emprego pra sustentar suas famílias, precisam de saúde, precisam de segurança nas ruas, precisam de casa,
precisam de dignidade, de educação e tantas outras coisas fundamentais ao ser humano.

Concluí que quando os defeitos macabros são perdoados em função de um alvo pessoal, aí está alguém que não está com ideologia, mas doença.

A corrupção é o mais macabro pecado de um governante pois ele rouba tudo de todos. Rouba o direito de uma criança ter uma boa escola, rouba a merenda da criança, rouba um país favorável ao empreendedorismo para que mais empregos sejam gerados e o chefe de família tenha seu salário, rouba do idoso o remédio que tire sua dor, rouba do jovem profissionalização e oportunidades para um futuro promissor, rouba recursos para combater a violência e para recuperar viciados pelas drogas, rouba valores, e pior, rouba a fé, a esperança do povo.

Enfim, quando a integridade é deixada de lado por qualquer causa, quando os desmandos das pessoas são ignorados, simplesmente por que uma causa pessoal é apoiada, estamos diante de alguém que pode ter tido uma ideologia em alguma fase da vida, mas agora está enfermo, muito enfermo.

Este é o quadro do Brasil hoje. Estamos com uma população doente que não vê que estão confiando o futuro nas mãos de gente que é especialista em roubar sonhos, e que se traveste de bondade se escondendo atrás de ideologias; mas na verdade têm objetivos de poder e enriquecimento como alvos reais.

E você? Tem ideologia ou doença?

Josué Valandro Jr. É o pastor presidente da Igreja Batista Atitude da Barra da Tijuca, no Rio. Se graduou em teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil e informática pela PUC-RJ. Pós-Graduado em gestão estratégica de recursos humanos pela UNILESTE-MG, e mestrando em teologia pelo Southeastern Baptist Theological Seminary, na Carolina do Norte (USA). Casado com Bianca, Valandro é pai do Lucas e do Gabriel.

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