Vida de contador não é nada fácil. Sabia?

Mas apesar disso é compensadora à medida que você faz o que gosta e, apesar de tudo, se sente bem-sucedido

Jonatas Nascimento - 16/10/2018 12h19

Na semana passada, a cidade do Rio de Janeiro sediou dois eventos da classe contábil, a saber, a 58ª Convenção de Contabilidade do Rio de Janeiro (CONCERJ) e o XIV Congresso Internacional de Contabilidade do Mundo Latino (Prolatino).

Nas oportunidades foram oferecidas palestras por pessoas de credibilidade, tanto militantes na atividade contábil como autoridades da estirpe do juiz federal da 7ª Vara, Dr. Marcelo Bretas, com atuação na Operação Lava Jato, e do Juiz Federal do Trabalho, Dr. Marlos Augusto Melek, membro da Comissão de Redação Final da criticada Reforma Trabalhista de 2017, que arrancaram aplausos de um auditório lotado.

Aos participantes foram oferecidos painéis e talkshows simultâneos a gosto dos convencionais, além de muita interatividade. Um dos momentos mais enriquecedores foi a apresentação do Painel denominado O Novo Contador – Boas Novas da Contabilidade, com a participação de jovens profissionais de diversas regiões do Brasil.

Uma coisa me chamou a atenção e justifica o título que dou a este pequeno texto. Seria algo no mínimo curioso, mas como sou do ramo, posso imaginar a razão. Fui informado pela portaria do hotel sede do evento que havia quase 1.400 inscritos, mas menos de 1.000 compareceram, apesar de terem feito o pagamento antecipado da inscrição de R$ 500.

A razão de tão alto número de ausentes não é outra senão compromissos inadiáveis. São as mais inusitadas situações, coisas da profissão. Eu mesmo já não consigo contar quantas vezes perdi viagens, almoços e eventos voltados para a classe (simpósios, congressos…). Quantos feriados passei debruçado sobre as minhas atividades, trancado em meu escritório. Eventualmente, em época de prestação de contas com o Leão, tinha que trabalhar até dormir em cima de papéis e no dia seguinte, logo cedo, retomar os trabalhos como se tivesse dormido um grande sono, para garantir o cumprimento da obrigação dentro do prazo e não perder o cliente.

E o documento que não chega? E o cliente que se acha no direito de enviar documento pelo WhatsApp? E o balanço que não fecha? E o imposto que o cliente não conseguiu pagar? E a fiscalização batendo à porta? E a responsabilidade solidária? E os atritos entre patrão e empregados? E a burocracia que não deixa o seu processo ser deferido? E as crises e lamentações do cliente? Tudo, absolutamente tudo, é problema do contador.

Vida de contador não é nada fácil, mas é compensadora à medida que você faz o que gosta e, apesar de tudo, se sente bem-sucedido. Feita esta breve explanação, encorajo os estudantes de contábeis a prosseguirem nesta contagiante carreira profissional. Mas nunca se esqueça que há muita vida lá fora.

Ao final da leitura, comente este artigo e também dê sugestões de temas voltados para a contabilidade. Se preferir, escreva para mim: jonatasnascimento@hotmail.com.

Jonatas Nascimento é empresário do ramo contábil na região metropolitana do Rio de Janeiro, graduado em Letras e Direito. Especialista em contabilidade eclesiástica, é autor do livro Cartilha da Igreja Legal.

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