Que o Governo saia do cangote do empresário

Não é lógico um empresário ganhar menos do que paga ao Governo em forma de impostos.

Jonatas Nascimento - 31/12/2018 10h13


Ao longo da minha militância no mundo contábil já vi quase tudo, mas doloroso mesmo tem sido ver empresários fracassando em seus negócios, deprimidos e sobressaltados com a presença de fiscais e oficiais de Justiça em suas portas, a fim de penhorar até mesmo bens domésticos para garantir o recebimento de créditos tributários reivindicados pelo Governo. Embora previsto no ordenamento jurídico brasileiro, vejo um certo exagero por parte do fisco na arte de garantir “a parte que lhe cabe nesse latifúndio”, sem pensar que a classe empresarial é que gera emprego e renda ou, em outras palavras e sem ser pejorativo, o empresário é “a galinha dos ovos de ouro”. Uma vez morta a “galinha”, todos perdem, inclusive os beneficiados.

Por oportuno, refuto a ideia de que todo empresário é vilão, explorador e inimigo do trabalhador. Isto não é verdade. Posso afirmar categoricamente que, se é verdade que no passado havia esse tipo de conduta por parte de alguns, hoje em dia nem de longe isto expressa a realidade, pois além do novo comportamento imposto pela sociedade, a evolução dos direitos, não só trabalhistas, estampados na Constituição Federal de 1988, é notável. Aliás, estes direitos evoluíram tanto que, apesar de falha, a Reforma Trabalhista de 2017 foi uma necessidade que chegou tardiamente.

Ainda que na condição de empregador, confesso que vejo com reservas alguns pontos daquele diploma legal, pois a verdade é que o pequeno e o médio empresários, responsáveis por mais de oitenta por cento da geração de empregos, já não estavam suportando tantas obrigações. Talvez isto justifique um Equador inteiro de desempregados neste país rico e cheio de oportunidades. Uma verdadeira incongruência.

Ainda nessa linha de raciocínio, eu diria que não é lógico um empresário ganhar menos do que paga ao Governo em forma de impostos, tributos, contribuições e uma infinidade de obrigações decorrentes da sua atividade. O Governo tem direito, mas a fatia maior do bolo há de ser do empreendedor, que se arrisca de todas as formas por questão de ideal, sobrevivência ou coisa que o valha.

Tão somente por esta razão foi que abracei a candidatura do presidente agora eleito que, quando em campanha, prometeu tirar o Governo das costas do empresário. Muito justo, pois o que temos visto ao longo de décadas e mais décadas é arrocho sobre arrocho em cima da classe producente brasileira, sem necessariamente o cumprimento da contrapartida em forma de saúde, educação, segurança e todas as demais garantias previstas na Constituição.

Sim, senhor Capitão, cumpra a sua missão, pois mudar é preciso. Se cumprir o que prometeu, você terá prestado um excelente serviço, que se traduzirá em justiça social, crescimento econômico e todos os nossos anseios por um Brasil melhor atendidos. Do lado de cá, prometo fazer o que sempre fiz enquanto profissional do ramo contábil: viver e estimular a legalidade e rogar aos céus que nos olhe com olhar de misericórdia e nos permita viver uma vida sossegada, sem o fantasma do fracasso.

Aproveitando o ensejo e desejo aos meus leitores um 2019 cheio de esperança por dias melhores.

Nota: Ao final da leitura, comente este artigo e também dê sugestões de temas voltados para a contabilidade. Se preferir, escreva para mim: jonatasnascimento@hotmail.com ou utilize apenas o meu WhatsApp: (21) 99247-1227.

Jonatas Nascimento é empresário do ramo contábil na região metropolitana do Rio de Janeiro, graduado em Letras e Direito. Especialista em contabilidade eclesiástica, é autor do livro Cartilha da Igreja Legal.

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