Mitos e verdades sobre a reforma da Previdência Social

A verdade é que a Previdência Social é deficitária, inspira cuidados e, se nada for feito agora, vamos colher frutos amargos num futuro muito próximo

Jonatas Nascimento - 08/05/2019 11h15


Que a reforma da Previdência Social é necessária e urgente, até as pedras sabem. Alguns membros das casas legislativas e também do povo tentam negar esta realidade com argumentos falaciosos, mas isto também até as pedras sabem. Afinal, isto acontece porque, jogar contra, faz parte do jogo. Se não houver oposição, não tem graça, e que se dane o resto. Porém, pior do que essa oposição barata, é a preocupação do sujeito com o seu “metro quadrado”, em detrimento do bem coletivo.

A verdade é que a Previdência Social é deficitária, inspira cuidados e, se nada for feito agora, vamos colher frutos amargos num futuro muito próximo. Para quem sabe ler e analisar números, basta entrar no site da Previdência Social. Além do balanço que encontra-se disponível, sugiro uma consulta ao Relatório Resumido da Execução Orçamentária, divulgado através da Portaria STN nº 60, de 29/01/2019.

Quando foi criada a Previdência, a relação contribuinte x beneficiário era bem favorável, mas com o passar do tempo, o número de beneficiários (aposentados, pensionistas e licenciados) cresceu, a expectativa de vida quase dobrou e ainda há quem pense que esse sistema é autossustentável. Definitivamente não é. Do mesmo modo que não é em outros países.

Nos últimos dias, ocupei-me de fazer um estudo comparativo da legislação previdenciária em cinco países e constatei, por exemplo, que na Irlanda (Reino Unido), nenhum aposentado ganha mais que 300 ou 400 euros, o que equivale a algo em torno de 1.400 a 1.900 reais. Não consegui vislumbrar algo mais atrativo em outros países, além da amostragem. Ora, se o benefício previdenciário é pífio no resto do mundo, por que haveria de ser diferente no Brasil?

Que ninguém pense que estou aqui defendendo o governo atual, pois se o fizesse, eu teria que criticar os outros anteriores que não tiveram a necessária habilidade para promover uma mudança tão desgastante.

Se me perguntarem se a proposta apresentada é do tamanho da necessidade ante o problema, eu responderia com um sonoro não. Afinal, a mim me parece que, como de praxe, a proposta vem selvagem para que, em seguida, as mudanças vigorem dentro de certa razoabilidade. Isto é flexibilidade. Aliás, flexibilidade é o que não falta no chefe do Executivo, haja vista as sucessivas reconsiderações de suas decisões.

Jonatas Nascimento é profissional contábil com mais de quatro décadas de atuação, graduado em Letras, Recursos Humanos e Direito; professor de Língua Portuguesa no Seminário Teológico Batista de Duque de Caxias; membro do Conselho Fiscal da Convenção Batista Brasileira; especialista em Contabilidade Eclesiástica; Diretor do Espaço Contábil, com sede em Duque de Caxias-RJ; apresentador do quadro Religião & Legislação no programa Reencontro pela TV Brasil; autor do livro Cartilha da Igreja Legal.

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