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Lei moral deve prevalecer sobre lei civil

Nenhuma igreja abriu ou fechou as suas portas necessariamente por força de um decreto, mas por força do amor e cuidado para com os fiéis e em outra instância em nome da obediência civil

Jonatas Nascimento - 22/06/2020 12h01

De alguma forma já falei sobre isso anteriormente, mas eventualmente há necessidade de se voltar a determinado tema, para que ele fique bem claro. É o caso dessa enxurrada de decretos contestáveis que permitem a reabertura de templos de qualquer culto.

Cabe aqui um parêntese para esclarecer que em regiões metropolitanas nasce uma confusão em torno de decretos municipais, como é o caso da cidade do Rio de Janeiro, que faz limites com vários municípios, como Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti e vários outros. O decreto da capital não vale para esses municípios.

Na última semana alguns municípios iniciaram a reabertura dos seus templos religiosos para o público, mediante algumas orientações das autoridades da saúde, tais como disponibilização de material de higiene e higienização de microfones, maçanetas, torneiras, como também distanciamento mediante demarcação de assentos. Não seria demais a medição de temperatura e recomendação mais contundente para as pessoas que compõem o chamado grupo de risco. E isto é necessariamente papel dos líderes religiosos, sob pena de responsabilidade civil.

Nenhum líder religioso vai amontoar os seus fiéis em um espaço limitado para a realização dos cultos, pois o perigo do contágio não vai embora ante a edição de um decreto

Mas isto não basta. O bom senso deve falar mais alto. A ética deve ser observada. A lei moral deve falar mais alto que a lei civil. Nenhum líder religioso vai amontoar os seus fiéis em um espaço limitado para a realização dos cultos, pois o perigo do contágio não vai embora ante a edição de um decreto. Como disse em outra ocasião, nenhuma igreja abriu ou fechou as suas portas necessariamente por força de um decreto, mas por força do amor e cuidado para com os fiéis e em outra instância em nome da obediência civil. Ainda que não houvesse qualquer norma legal, o líder religioso consciente não exporia os seus fiéis a tão grande perigo.

Espero que ninguém passe pelo que eu passei. Um “amigo”, ao me ver chegando à igreja, abriu os braços e exclamou: – “Me dá um abraço aqui porque eu estou saudável”. Ao que eu lhe respondi: – “Mas você sabe se eu estou saudável?”. Ele não sabia. Ninguém sabe. Pois o vírus é silencioso e de fácil contágio. Corramos dele.

Jonatas Nascimento é empresário do ramo contábil na região metropolitana do Rio de Janeiro, graduado em Letras e Direito. Especialista em contabilidade eclesiástica, é autor do livro Cartilha da Igreja Legal.
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