Ministros “togas-limpas” do STF querem se livrar dos colegas “togas-sujas”

Cabral pode elencar todos os membros da organização criminosa

Helder Caldeira - 17/12/2019 10h31

STF Foto: SCO/STF /Nelson Jr.

A assinatura do acordo de colaboração premiada entre o ex-governador Sérgio Cabral e a Polícia Federal tem ingredientes que vão além da exibição de entranhas da corrupção no Palácio Guanabara e na política fluminense. O anexo que mais chamou a atenção dos investigadores foi aquele que abre um novo flanco na Operação Lava Jato: o Poder Judiciário. Desde a tarde de segunda-feira (16), os palácios de Brasília estão em polvorosa.

Nos bastidores, fala-se abertamente que Sérgio Cabral se comprometeu a devolver aos cofres públicos cerca de R$ 380 milhões escondidos em paraísos fiscais e elencar todos os membros da organização criminosa, incluindo especialmente ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Não por acaso, falando em nome do Ministério Público Federal (MPF), o procurador-geral da República Augusto Aras manifestou-se no processo contra o acordo entre Cabral e a PF. A delação pode causar um terremoto nas estruturas supostamente institucionais que os mantêm no poder, incluindo o próprio Aras.

Agora, cabe ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, homologar ou não a delação premiada de Sérgio Cabral.

Aliás, o ministro Fachin vem sofrendo forte pressão desde o final de novembro, quando a proposta de delação do ex-governador chegou ao Supremo. Cresce nos bastidores o movimento de ministros “togas-limpas” que querem se livrar de colegas que estão atolados até o pescoço nos escândalos de corrupção que devastaram a República nas últimas três décadas. São os chamados “togas-sujas“.

Nesse sentido, a proposta de delação do ex-governador fluminense vem a calhar, afinal Cabral promete entregar muitos gigantes do Judiciário. A pressão sobre Fachin é para que o ministro faça logo a homologação do acordo e que os “togas-limpas” possam se livrar o mais rápido possível dos “togas-sujas”, pois já se sentem chamuscados pela fritura que vive a Suprema Corte brasileira.

Helder Caldeira é escritor, colunista político e palestrante. Há duas décadas atua e escreve sobre a Política brasileira. É autor dos livros ‘Águas Turvas’, ‘Bravatas, gravatas e mamatas’, ‘Pareidolia política’, entre outros. Contato: eventos@heldercaldeira.com.br

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