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Folha de S.Paulo paga mico histórico ao “analisar” o Oscar

As pesquisas do veículo explicam porque o atual presidente é Fernando Haddad

Helder Caldeira - 09/02/2020 15h14

Meryl Streep

Essa é a “análise” da Folha de S.Paulo sobre o Oscar e os atores e atrizes: a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood estaria privilegiando “atrizes mais jovens e atores acima dos 51 anos”.

Ora, os “grandes analistas” da Folha pegaram os números, jogaram num balaio e extraíram um texto frio, chapado, que não corresponde às ultimas quatro décadas da maior premiação do Cinema.

Senão, vejamos…

Como um analista sério pode escrever que “o Oscar privilegia atrizes jovens” e que “a vida da mulher com mais de 40 anos não interessa a Hollywood”, quando a última vencedora foi Olivia Colman, aos 45 anos de idade, e, antes dela, Frances McDormand, que ganhou o prêmio aos 61 anos, ou Cate Blanchett, Julianne Moore, Sandra Bullock, Julia Roberts, Helen Mirren, Susan Sarandon, Jessica Lange, Nicole Kidman e a campeã Meryl Streep, que só ganharam suas estatuetas por interpretações de mulheres icônicas e mais maduras, acima dos 40 anos?

Renée Zellweger em Judy

Nem preciso dizer que a favorita deste ano é Renée Zellweger, por dar vida à estrela Judy Garland numa biografia cinematográfica que explora suas mazelas de meia-idade, depois dos 40 anos.

O mesmo acontece com a categoria Melhor Ator na “análise” da Folha. Não se pode dizer que “o Oscar privilegia atores acima dos 51 anos” tendo como favorito deste ano Joaquin Phoenix, aos 45 anos. Antes dele, o vencedor foi Rami Malek, aos 36 anos. E tivemos Leonardo DiCaprio, Eddie Redmayne, Matthew McConaughey, Jamie Foxx, Adrien Brody e ícones como Tom Hanks, Nicholas Cage e Sean Penn, todos tendo ganhado estatuetas quando estavam na faixa dos 20 e 30 anos de idade.

Joaquin Phoenix

É óbvio que há casos aqui e acolá que se encaixam na “análise” da Folha, mas é justamente o fato dela ser fria e chapada, pretensamente detentora da verdade, que a faz fake e até bem boba.

Fico imaginando gente da envergadura de uma Viola Davis ou de um Mahershala Ali lendo uma barbaridade dessas. Vão rir e jogar no lixo.

Isso explica, por exemplo, porque, para as pesquisas e análises da Folha de S.Paulo, o atual presidente é Fernando Haddad, substituindo Aécio Neves, e Dilma Rousseff é a senadora mais votada de Minas Gerais.

Esses “Datafolhas” da vida deveriam vir com a legenda “#SQN” bem grande ao final. Enganaria menos seus leitores.

Helder Caldeira é escritor, colunista político e palestrante. Há duas décadas atua e escreve sobre a Política brasileira. É autor dos livros ‘Águas Turvas’, ‘Bravatas, gravatas e mamatas’, ‘Pareidolia política’, entre outros. Contato: eventos@heldercaldeira.com.br
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