Você acredita nas pesquisas eleitorais?

Os números não mentem, mas todos que mentem usam os números

Fábio Guimarães - 01/10/2018 11h27

Amigos leitores do Pleno.News, já adianto que não vou tratar aqui de possíveis manipulações, acusações de pesquisas forjadas e algo do tipo. Não que eu ache que esses institutos são o suprassumo da honestidade intelectual brasileira, longe disso. mas seria leviano da minha parte fazer qualquer tipo de acusação sem provas; não é para isso que esse espaço de reflexão sobre os dilemas e desafios da sociedade se propõe a atuar.

Quero falar da mudança de era que vivemos. Estamos em um mundo tecnológico, as distâncias foram abolidas por um único clique, é uma fase de ruptura com todos os paradigmas que conhecemos, em todas as áreas de nossas vidas, seja cultural, econômica, social ou política. Somos atores deste processo e como tal muitas vezes não conseguimos perceber o que acontece.

Vivemos um momento de revolução, onde o ativo mais importante é a informação, basta ver que dentre as cinco maiores empresas negociadas na maior bolsa de valores do mundo (Nova Iorque) quatro delas são empresas de informações.

Consegue entender a relevância que tem as pesquisas eleitorais para a sociedade como um todo justamente neste período que vivemos?

Há alguns anos as informações chegavam aos indivíduos de forma espaçada. Logo, fazer o recorte populacional de acordo com os perfis do IBGE era realmente a melhor forma de entender a sociedade. Hoje, a tecnologia aboliu as fronteiras da informação. Não é razoável que usemos critérios analógicos para analisar informações que se propagam na velocidade do universo digital.

Isso, para mim, é tão cristalino quanto às águas do Caribe.

Precisamos urgentemente modificar a legislação e adequar as pesquisas. Todas as pesquisas, eleitorais ou não, precisam estratificar seu universo amostral com ênfase no numero de indivíduos que têm acesso digital; dividindo os mesmos de acordo com suas frequências, seja todos os dias (dividido em várias horas), com alguma frequência semanal, mensal, ocasional ou sei lá como os técnicos vão dividir. É claro também que as pesquisas precisam contemplar a base da pirâmide social que não tem acesso digital ainda, porém no seu percentual real.

Quando falamos de acesso digital estamos falando não só da frequência desse acesso, mas também a forma desse acesso do ponto de vista do hardware (desktop, notebook ou smartphone) na forma de acesso do ponto de vista da conexão (velocidade de conexão e suas formas), do local de acesso (casa, trabalho, escola, todo instante com o telefone) e por aí temos mais uma gama de variáveis.

Tratar informação é algo muito sério e complexo. Essas indagações precisam ser feitas e essas informações podem e devem ser incorporadas ao recorte já utilizado, pois elas são vitais para entendermos a dinâmica social existente.

Até bem pouco tempo, o eleitor tomava sua decisão de voto baseado principalmente em dois vetores. Um, chamado de geográfico, buscava um candidato da sua região, que entendia seus problemas e que pudesse ajudar a solucioná-los, que conhecesse ou tivesse alguma proximidade. O outro vetor era o voto por afinidade de opinião, seja classista, religiosa ou profissional. Mas isso mudou.

Amigos, lembrem-se, os números não mentem, mas todos que mentem usam os números.

Portanto, definitivamente, não acreditem nas pesquisas eleitorais, seja por sua lisura, seja por sua metodologia analógica elas definitivamente não representam uma informação confiável. Escolha seus candidatos com muito cuidado e vote. O futuro da nação está em nossas mãos.

Boa eleição a todos!

Fábio Guimarães é economista, formado pela UFRRJ com MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ. Palestrante, consultor e debatedor, atuou por mais de 10 anos como gestor nas áreas de trabalho e renda e desenvolvimento econômico.

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