Uma lama invisível

O oportunismo de usar uma tragédia para defender um ponto de vista político também devasta nossa nação

Fábio Guimarães - 29/01/2019 14h51


A tragédia do rompimento da barragem em Brumadinho é muito triste. Difícil imaginar o sofrimento de tantas famílias, a angústia de pais sem noticiais de seus filhos, mulheres buscando informações sobre seus maridos, famílias inteiras devastadas por um mar de lama visível que soterrou uma cidade inteira.

É um momento triste e de reflexão. Nossa ideia aqui neste espaço não é trazer informações sobre a tragédia, falar sobre os 58 mortos e mais de 300 desaparecidos até o momento, ou sobre as causas deste acidente/crime e as possíveis responsabilidades da empresa Vale. Estas informações são muito importantes, porém os veículos jornalísticos já estão fazendo um trabalho incansável em buscá-las. Cabe a cada um de nós, buscar informações e reflexões que auxiliem a sociedade no trabalho para evitar momentos devastadores como este.

Nossa reflexão aqui é sobre uma lama invisível, terrível também, impregnada em nossa sociedade, pois em casos extremos, também mata. Sua identificação não é tão clara, sua avalanche é concentrada na falta de empatia com o próximo, no oportunismo de usar uma tragédia para defender um ponto de vista político. Na necessidade de se utilizar de uma dor coletiva para destilar ódio, arrogância e uma prepotência que não condiz com um povo forjado em uma sociedade de maioria judaico-cristã.

Nossa democracia é recente, é juvenil. Precisamos amadurecer. Não tem lógica grupos de “esquerda” se utilizarem de uma tragédia desta para responsabilizar o governo que acabou de assumir a condução do país. Também é irracional grupos de “direita” buscarem neste momento “culpados” em governos anteriores.

O momento atual é de unir esforços e ajudar cada necessitado. Ajudar a diminuir a dor de cada brasileiro que, direta ou indiretamente, está sofrendo com uma dor incalculável. Uma atitude desta não significa ignorância, significa civilidade. Precisamos de civilidade.

Atitudes assim podem mudar nosso país. Todo o resto neste momento é inoportuno, fora de contexto e inapropriado.

Tudo tem seu tempo. As correntes políticas podem e devem trabalhar para minimizar impactos como este, através da elaboração de leis e cumprimento das mesmas. Agora, fazer politicagem com a dor alheia é tudo que não podemos aceitar. Vale lembrar:

“Tudo tem seu tempo. Há um momento oportuno para cada coisa debaixo do céu”. Tempo do amor e tempo do ódio; tempo da guerra e tempo da paz” (Eclesiastes 3.1 combinado com Eclesiastes 3.8).

#forçabrumadinho

Fábio Guimarães é economista, formado pela UFRRJ com MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ. Palestrante, consultor e debatedor, atuou por mais de 10 anos como gestor nas áreas de trabalho e renda e desenvolvimento econômico.

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