Sonhos, abelhas e seres humanos!

Hoje sabemos pouco sobre muita coisa, somos “clínicos gerais” de uma vida vazia. Precisamos de uma sociedade que fale menos e diga mais

Fábio Guimarães - 23/07/2018 11h32

Sonhar é um atributo especial. Só os seres humanos sonham. Isto nos diferencia dos outros animais. Você pode adorar gatinhos e cachorrinhos; eu também gosto. Mas acredite, diferenciá-los de nós, enquanto espécie, é um vetor importante para a vida.

A realização de nossos sonhos é o quociente da estrada que percorremos, quanto mais sonhamos mais conquistamos. Assim, e só assim, vivemos a plenitude da vida que Cristo nos concedeu.

Evidente que a forma como vivemos, os valores que norteiam nosso dia a dia, refletem diretamente na qualidade de nossas vidas. A máxima onde “os fins justificam os meios”, utilizada de forma errônea e fora de contexto, chateia Maquiavel e atrapalha nosso avanço civilizatório.

A sociedade brasileira está radicalizada, dividida em muitos aspectos, estamos afastados do ponto de equilíbrio e andando de braços dados com os extremos da estrada da vida. Isto não faz bem a ninguém.

Hoje o acúmulo de informações nos fadiga. Parece paradoxal, mas isso interfere diretamente como fator de desinformação. Sabemos pouco sobre muita coisa, somos “clínicos gerais” de uma vida vazia. Precisamos de uma sociedade que fale menos e diga mais.

Temos muitos livros, mas lemos pouco. Muitas bíblias, mas pouco conhecimento da Palavra. Temos sede de conhecimento, mas pouca vontade de ter acesso a dados primários. Queremos saber mas ficamos felizes se alguém puder nos contar, claro de forma resumida, por favor.

O risco de nos tornarmos uma sociedade reducionista é muito grande. As políticas públicas implantadas no Brasil, nos últimos anos, ajudou muito a consolidarmos uma sociedade dependente de informações mastigadas, isto é nevrálgico para entendermos, por exemplo, o radicalismo que desde 2014 assombra os brasileiros.

Os Coxinhas e os Petralhas, com raras excessões, são produtos de uma sociedade que não sabe o que é esquerda e direita, que acha que não ser um significa ser o outro, que não entende que o mundo muda, que as demandas sociais trazem sobre si uma importância cada vez maior para o pragmatismo político e que passo a passo a tendência é, de forma ética e transparente, substituirmos a ideologia política pelo pragmatismo programático demandado pela sociedade.

As abelhas são sociedades reducionistas, há milhares de anos trabalham da mesma forma, produzem o mel, se dividem entre operárias, a rainha e o zangão, são estratificadas, muitos operários trabalham demais só para deixar felizes a rainha e o zangão que estão no topo da cadeia.

Nós sonhamos, somos diferentes, podemos fazer melhor do que isso. Foi para isso que fomos criados, resgatados e feitos a imagem e semelhança do Eterno.

Eu e você fazemos parte do problema e da solução de uma sociedade melhor. Precisamos acreditar, vamos em frente!

Fábio Guimarães é economista, formado pela UFRRJ com MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ. Palestrante, consultor e debatedor, atuou por mais de 10 anos como gestor nas áreas de trabalho e renda e desenvolvimento econômico.