Quem está preparado para uma tragédia?

Centenas de famílias estão devastadas. Milhares de brasileiros tristes se colocam, por alguns segundos, no lugar destes familiares

Fábio Guimarães - 11/02/2019 15h09


Não é natural sofrermos a dor de uma separação brutal, inesperada e estúpida como estas de Mariana, Brumadinho, enchentes, o triste incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo e agora o desastre de helicóptero que vitimou o piloto e também o jornalista Ricardo Boechat.

Centenas de famílias estão devastadas. Milhares de brasileiros tristes se colocam, por alguns segundos, no lugar destes familiares, se assustam com a dor que sentem e mudam rapidamente seus pensamentos. É intuitivo; nosso mecanismo de defesa age de imediato. É doloroso pensar que as famílias atingidas diretamente por estas tragédias não possam contar com a mesma fuga mental. A realidade deles é desoladora.

A pergunta que cabe a cada um de nós responder com honestidade intelectual é: O que podemos fazer para ajudar estas famílias e evitar novas tragédias como essas?

Não tenho dúvida de que a resposta passa por pelo menos três vetores: orar, cobrar e vigiar.

Orar pedindo a Deus que console cada coração, que Seu amor incondicional traga conforto, força e ânimo para continuarem suas vidas, ainda que marcados por uma cicatriz que hoje está vermelha e inflamada, mas que o tempo pode deixar mais clara, menos visível, porém com a convicção de que não desaparecerá.

Se você tem contato direto com estas famílias, desejo sabedoria e prudência para que consiga, no tempo certo e com as palavras adequadas, ajudá-las no doloroso processo de reconstrução familiar.

Vale o ensinamento de Salomão que diz: “Cada um se alegra com a resposta que dá, mas a palavra oportuna é a melhor” (Provérbios 15:23).

Cobrar das autoridades uma investigação rigorosa sobre as responsabilidades dos envolvidos nestas tragédias. Cobrar punição exemplar para que outras pessoas e/ou empresas pensem dez vezes antes de colocar a vida de milhares de pessoas em risco. Cobrar dos legisladores um modernização das leis, para que endureçam as penas, as multas e que estabeleçam mecanismos de acompanhamento de grandes obras, com foco na segurança do trabalho e prevenção de tragédias.

Vigiar. Precisamos fazer também nossa parte, pois tragédias naturais podem ser evitadas se tivermos uma melhor educação ambiental. É preciso evitar, por exemplo, descarte de lixo em locais inapropriados e construções irregulares.

#forçabrasil

Fábio Guimarães é economista, formado pela UFRRJ com MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ. Palestrante, consultor e debatedor, atuou por mais de 10 anos como gestor nas áreas de trabalho e renda e desenvolvimento econômico.

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