Opinião Fábio Guimarães: Taxa extra! Os Correios têm razão?

Qual será o próximo passo da empresa PÚBLICA Correios e Telégrafos? Deixar de entregar para o Estado do RJ se a crise se agravar?

Fábio Guimarães - 05/03/2018 08h00

Em economia temos o Risco-Brasil, avaliação importante para atração de investimentos estrangeiros. Quanto menor o risco maior a possibilidade de investimentos reais na economia nacional. Ele é atrelado a outros índices econômicos como empresas de rating (avaliadoras privadas de risco) e também a movimentação da bolsa de valores.

Todos sabem dos males da corrupção, a importância da “oxigenação” das instituições de segurança pública, o precário atendimento na saúde e as mazelas sociais que vivemos.

Já sabemos também que o roubo de cargas no estado do Rio de Janeiro é recorde, na média mais de um caminhão é roubado por hora, segundo dados do Sindicato da categoria. Muitas empresas de logística estão desistindo de atender esse estado e, inclusive, temos um risco real de desabastecimento de alguns produtos.

Mas, acredito que a notícia da última semana é outro absurdo. A empresa PÚBLICA Correios, detentora do MONOPÓLIO da logística de entrega de correspondências no país, resolveu instituir uma taxa extra de 3 reais por correspondência que se destina ao Rio de Janeiro. Segundo a empresa, para cobrir o deficit com os casos de roubo de cargas e centros de distribuição da mesma no estado. (Você pode ler mais sobre isso, aqui).

Qual será o próximo passo da empresa PÚBLICA Correios e Telégrafos? Deixar de entregar para o estado do Rio de Janeiro se a crise se agravar? Vale lembrar que Correios é um empresa deficitária que consome mais de dois bilhões de reais anuais do nosso dinheiro para financiar seus gastos.

Aí, quando se fala em má gestão, corrupção, necessidade de concorrência e privatização tem gente que acha um absurdo e ainda aparece com o discurso do tipo o “correios é nosso”, “é um patrimônio brasileiro” e coisas do tipo.

Precisamos debater com honestidade intelectual a importância das empresas estatais, sua produtividade e qual modelo realmente é melhor para o cidadão, pois no final, com crise ou sem crise, somos nós que pagamos anualmente essa conta.

Fábio Guimarães é economista, formado pela UFRRJ com MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ. Palestrante, consultor e debatedor, atuou por mais de 10 anos como gestor nas áreas de trabalho e renda e desenvolvimento econômico.