Opinião Fábio Guimarães: Mudanças ministeriais

A sociedade precisa acompanhar a evolução dos gastos públicos. Os números não mentem, mas todos que mentem usam os números

Fábio Guimarães - 02/04/2018 10h00

Esta semana teremos muitas mudanças na União. Pelo menos 14 Ministérios e/ou Órgãos Federais devem ter novos mandatários. Essa mudança é consequência da legislação eleitoral que impõe a detentores de cargos públicos que pretendem ser candidatos nas próximas eleições a desincompatibilização de suas funções seis meses antes das eleições.

Particularmente, esta coluna acompanha de perto as mudanças na área econômica. O atual Ministro Henrique Meirelles deixará seu cargo, se filiou ao MDB, mesmo partido do Presidente Michel Temer e tem a intenção de ser candidato à Presidência da República.

As principais mudanças na área econômica será a efetivação de Eduardo Guardia no Ministério da Fazenda, Esteves Colnago no Planejamento e Dyogo Oliveira na presidência do BNDES.

Essas mudanças são cruciais, perpassam as tomadas de decisões sobre as arrecadações (Fazenda), sobre os gastos (Planejamento) e sobre as políticas de incentivo a investimentos públicos (BNDES).

É cedo para qualquer avaliação qualitativa sobre as mudanças, porém é vital para o país que os novos detentores das “canetas”, nessas áreas tão importantes, não deixem de lado a responsabilidade fiscal com as contas públicas, contendo principalmente as pressões políticas por aumento de gastos; muitos deles de forma irresponsáveis, que advém de pressões da disputa eleitoral que teremos em outubro.

Estamos de olho, os números não mentem, mas todos que mentem usam os números.

A sociedade precisa acompanhar de perto a evolução dos gastos públicos, responsabilidade e transparência é o mínimo que merecemos.

Fábio Guimarães é economista, formado pela UFRRJ com MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ. Palestrante, consultor e debatedor, atuou por mais de 10 anos como gestor nas áreas de trabalho e renda e desenvolvimento econômico.