O voto evangélico em 2018

Diferente do que é alardeado pela grande mídia, o evangélico continua sub-representado politicamente e existe espaço político de crescimento em 2018

Fábio Guimarães - 28/05/2018 11h40

O eleitor brasileiro está descrente com a política. E, com toda a razão: os sucessivos escândalos de corrupção, o desemprego, a perda de renda do trabalhador e a crise ética e moral que vivemos já são motivos mais que suficientes para tamanho desânimo.

Pesquisas apontam que se a eleição fosse hoje 30% dos eleitores não iriam votar ou votariam em branco; 16% dos eleitores estão indecisos, não se sentem representados por nenhum candidato; e por fim, vale lembrar que alguns municípios passaram por um processo de recadastramento biométrico, obrigatório para a próxima eleição e muitos eleitores não compareceram para validar sua biometria, logo estarão impedidos de votar nas próximas eleições.

Ainda que um percentual de eleitores indecisos escolha seu candidato durante o processo eleitoral, podemos concluir, com razoável segurança, que algo em torno de 40% a 50% dos eleitores não terão seus votos validados pela soma dos fatores já expostos. Esse percentual irá variar de município para município em função das especificidades locais.

E onde o evangélico se encaixa nisso?

Hoje, mais de ¼ da população brasileira é evangélica, ou seja, mais de 50 milhões de pessoas. Segundo estudos do IBGE, em 10 anos o Brasil será de maioria evangélica. Anualmente o protestantismo aumenta seu número de seguidores em 0,7%.

No Congresso Nacional são 93 deputados que compõem a chamada Frente Evangélica, eles representam 18% dos 513 congressistas brasileiros. Esses números apontam que, diferentemente do que é alardeado pela grande mídia, o evangélico continua sub-representado politicamente e existe espaço político de crescimento para ser ocupado por esse segmento em 2018. Um número crível seria de 140 deputados federais, equivalente a 27% das cadeiras da Câmara Federal.

Respeito muitíssimo quem pensa de forma diferente, mas estou convicto da importância de termos uma representação política séria, honesta e comprometida com os princípios cristãos. Os valores cristãos estão sendo açoitados nos últimos anos e precisamos combater o bom combate, pois esse é o único caminho para uma sociedade melhor.

Finalizando, vale frisar que “corruptos e picaretas” existem em todos os lugares, mas cabe a cada um de nós, cristãos ou não, irmos votar. Pois, participar do processo democrático é fundamental, como também avaliar nosso voto com prudência e sabedoria para assim escolhermos de forma correta nossos representantes.

Fábio Guimarães é economista, formado pela UFRRJ com MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ. Palestrante, consultor e debatedor, atuou por mais de 10 anos como gestor nas áreas de trabalho e renda e desenvolvimento econômico.