O que aprendemos com a Copa do Mundo

Precisamos urgentemente aprender civilidade e combater o jeitinho brasileiro, o rouba mas faz, o malandro é malandro e o mané é mané

Fábio Guimarães - 16/07/2018 11h42

Eventos esportivos de cunho mundial trazem à tona vários aspectos interessantes de ser observados. Não só relacionados ao conteúdo desportivo em si mas também sobre a cultura e o respeito às diferentes formas de convivência.

A Copa do Mundo de Futebol e às Olimpíadas são os dois eventos mais esperados por esportistas e torcedores, pois mexem com a paixão, a torcida e a emoção de bilhões de seres humanos.

Quem não se lembra do show da torcida japonesa nas Olimpíadas do Rio? Por onde iam torciam, vibravam com seus atletas, independentemente dos resultados alcançados, e ao fim daquela jornada eram os últimos a sair dos estádios e arenas esportivas, pois faziam questão de deixar tudo limpo e organizado, recolhendo muitas vezes o seu lixo e até mesmo o lixo deixado pela torcida adversária.

Hoje o mundo todo fala do exemplo da presidente croata. Uma simpatia de ser humano, com espírito esportivo e público ímpar, fez questão de ir torcer por sua seleção, vibrar nas arquibancadas e como qualquer mortal pagou pelos próprios gastos, abrindo mão de ser ressarcida com dinheiro público. Isso era algo a que teria direito pelo cargo que ocupa, era completamente legal, mas possivelmente na consciência dela algo imoral.

A presidente da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarovic, e o presidente da França, Emmanuele Macron, na final da Copa 2018 Foto: EFE/Lavandeira jr

 

A definição de civilidade que mais me agrada é “ um conjunto de formalidades, de palavras e atos que os cidadãos adotam entre si para demonstrar mútuo respeito e consideração; boas maneiras, cortesia e polidez”.

Esses dois exemplos acima demonstram a essência do termo civilidade. O Brasil está longe de ser considerado um país civilizado. Precisamos urgentemente combater o jeitinho brasileiro, o rouba mas faz, o malandro é malandro e o mané é mané.

Não se trata de “complexo de vira-lata”; longe disso, somos um povo extraordinário, mas precisamos deixar de lado esse mecanismo, talvez de autodefesa, onde fazer bullying cultural com português é o máximo, encontrar uma russa e poder abusar do direito de ser machista pelo fato dela não entender nossa língua é engraçado.

Tentamos a todo instante ludibriar uma autoridade, seja no campo de jogo, na rodovia ou no tribunal, entendemos que este é um legítimo caminho para a vitória. Não, definitivamente esse é o caminho que nos leva ao atraso, ao abismo cultural e civilizatório. A solução todos sabem, é milenar. Todos sabem mas poucos praticam. Educação, educação e mais educação.

Fábio Guimarães é economista, formado pela UFRRJ com MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ. Palestrante, consultor e debatedor, atuou por mais de 10 anos como gestor nas áreas de trabalho e renda e desenvolvimento econômico.