Coluna Fábio Guimarães: O leão do Imposto ruge e o brasileiro paga a conta

O reajuste da tabela do imposto de renda deveria ser automático, regido por lei

Fábio Guimarães - 15/01/2018 10h00

O Governo Federal continua fazendo caixa com o dinheiro da população, não apenas cobrando impostos, porque percentualmente pagamos uma das maiores taxas de impostos do mundo, mas também de forma indireta, não reajustando a tabela de rendimentos que incide sobre o imposto de renda dos brasileiros.

Pelo terceiro ano seguido, essa tabela não será reajustada. Quer dizer, em 2018, o problema persiste. Assim, o brasileiro de classe média baixa paga “o pato” ou seja, perde poder de compra anual e parte da sua renda migra para o Governo.

Um país sério não deveria tratar seus trabalhadores dessa forma. O reajuste da tabela do imposto de renda deveria ser automático, regido por lei, cobrindo pelo menos a taxa de inflação do ano anterior e assim protegendo o poder de compra dos trabalhadores.

Dados do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco) apontam que a defasagem na tabela do IR atingiu 88,4%, contabilizando as perdas desde 1996.

Na prática isso significa que o Governo só deveria começar a cobrar IR dos trabalhadores que ganham a partir R$ 3.556,56. Mas, atualmente, a cobrança já incide nos trabalhadores que têm rendimentos mensais acima de R$ 1.903.

Uma bela bandeira para 2018 seria a população brasileira cobrar dos seus governantes uma atualização da tabela de IR.

Como sugestão, responsável, poderíamos trabalhar com um horizonte de 20 anos, onde anualmente a tabela seria corrigida pela inflação mais um percentual da perda acumulada no passado. Desse modo, poderíamos ir diminuindo essa diferença de 88,4% e, em longo prazo, termos uma base de cálculo que respeite os trabalhadores.

Fábio Guimarães é economista, formado pela UFRRJ com MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ. Palestrante, consultor e debatedor, atuou por mais de 10 anos como gestor nas áreas de trabalho e renda e desenvolvimento econômico.