O chefe e o líder. Diferenças básicas

Chefes são uma espécie em extinção. Já líderes não estão em extinção, estão em formação, sempre em formação

Fábio Guimarães - 30/07/2018 11h03

Chefes mandam, mandam muito. Possuem autoridade hierárquica, constituída em alguns casos por experiência adquirida, em outros por herança recebida.

Chefes dão medo. Normalmente entendem bem os problemas que estão embaixo dos seus narizes, digo em seus setores, conhecem as soluções que já deram certo ou a pessoa que pode solucionar o problema velho.

Chefes são uma espécie em extinção. Não queira ser um chefe, ele é démodé, cafona e reconhecidamente ineficiente em um mercado onde o ativo mais importante é a informação.

Líderes não estão em extinção, porém, às vezes, é mais fácil encontrar uma arara-azul no Pantanal do que diagnosticar um líder de verdade.

Líderes não estão em extinção, estão em formação, sempre em formação. Não importa o quanto sabem, o quão brilhante são, eles entendem que o processo de aprendizagem é uma característica inerente ao próprio ser de um líder. Aprender é um princípio e não uma qualidade para um líder. Um líder é um operário do saber.

Quando falamos de líderes normalmente vem à mente o processo formal de trabalho, pode ser, mas precisamos cada vez mais de líderes para a vida e não só para o mercado de trabalho. Líderes políticos, líderes na comunidade, líderes no grupo de amigos, líderes nas escolas, líderes nas igrejas e principalmente líderes dentro de cada lar. O Brasil carece de liderança.

O líder não assusta, ele inspira. Eu tive e tenho a oportunidade de conviver com ótimos líderes. Um privilégio que Deus me concedeu.

Existe muito estudo sobre liderança, características que estudiosos avaliam ser primordiais para o exercício da liderança; eu vou fugir da teoria acadêmica e citar de forma prática cinco lições que aprendi e aprendo com os líderes com os quais tenho a oportunidade de conviver. Vamos lá:

1. Eles sempre falam menos e escutam mais. Todos eles. Pouco importa se dominam ou não o assunto. Parece que eles escutam, analisam e depois filtram o que podem incorporar aos seus saberes. Parece que funciona como um processo de decantação automática, eles fazem isso instintivamente, em minutos, se você estiver desatento, nem percebe.

2. Entendem rapidamente o que pouco conhecem e logo logo falam do assunto com a segurança de um especialista da NASA.

3. São generosos. Têm prazer em ensinar. Sabem que cada vez que ensinam aprendem mais um pouco. Possuem um sentimento fraternal, no sentido de que ensinando estão melhorando o mundo e, dessa forma, contribuindo para o bem-estar de todos. É inadmissível reter conhecimento com medo de o fulano pegar o seu lugar ou algo do gênero. São líderes, têm pensamento holístico, enxergam o todo, sabem que ter pessoas melhores que eles em determinadas áreas faz parte das atribuições de um líder.

4. Respeito, respeito e respeito. O ser humano tem o mesmo valor, seja o faxineiro ou o presidente. A capacidade de aprender, reter e trabalhar saberes pode definir o que fazemos, nunca quem somos.

5. Por fim, o líder é aquele que inspira a travessia. Conduz você de um ponto a outro com ânimo e segurança. Não importa se a travessia é curta como uma viela ou longa, com muitas léguas.

Biblicamente também poderíamos citar inúmeros exemplos de liderança. De Gênesis ao Apocalipse. Gosto das palavras de Paulo ao jovem Timóteo em sua primeira carta, o contexto é de orientação, de mentoreado. Lembra que falamos que um líder tem prazer em ensinar? Um verdadeiro líder é sempre um mentor.

Paulo diz: “Ensine aos Cristãos com a vida: pela palavra, pelo procedimento, pelo amor, pela fé e pela integridade.” (1 Timóteo 4:12 – A Mensagem).

Se você quer verdadeiramente ser líder, em qualquer área da sua vida, começar significa percorrer metade do caminho. Você pode começar com os ensinamentos de Paulo, inspirado por Deus, ele nos deu a receita.

Vamos em frente.

Fábio Guimarães é economista, formado pela UFRRJ com MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ. Palestrante, consultor e debatedor, atuou por mais de 10 anos como gestor nas áreas de trabalho e renda e desenvolvimento econômico.