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Arolde de Oliveira – Deus quis!

Arolde sempre foi uma pessoa admirável

Fábio Guimarães - 22/10/2020 09h29

Eu e o senador no lançamento do livro Deus quis

Essa doença que mudou o mundo e ceifou a vida de tantas pessoas fez uma nova vítima no Brasil, perdemos Arolde de Oliveira.

O Arolde, homem público, sempre foi uma pessoa admirável, ele tinha predicados que hoje dificilmente encontramos em postulantes que buscam seu voto.

Em tempo onde ser político não é missão e sim profissão, Arolde era diferente. Ele estudou muito, a vida inteira, trabalhou muito, a vida inteira, e só depois decidiu que tinha condições de verdadeiramente trilhar o caminho público para ajudar as pessoas.

Arolde era engenheiro formado pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e economista, com estudos de pós-graduação em matemática moderna e física quântica. Ele tinha uma mente privilegiadíssima.

Seu emprego não era ser político, Arolde foi militar, no Exército chegou ao posto de capitão. Após seu ciclo militar, foi ser executivo do setor de comunicações, aliás comunicação era sua grande paixão.

Como profissional da comunicação, Arolde foi um dos fundadores da Empresa Brasileira de Telecomunicação (Embratel). Trabalhou no Brasil e no exterior para difundir a tecnologia voltada para a comunicação. Numa época onde ter telefone era artigo de luxo e poder, levou telefone a milhares de pessoas, de norte a sul deste país, com destaque para seu trabalho no Norte do país, possibilitando que a comunicação chegasse a fronteira Amazônica.

Quando Arolde decidiu por uma nova carreira, a política, já tinha 45 anos de idade. Esse menino com experiência de vida trabalhou incansavelmente por nove mandatos seguidos de deputado federal e Deus permitiu que durante 19 meses tivesse a honra de ser senador da República.

Nesta nova carreira atuou longos 38 anos para servir as pessoas. Arolde tinha o cidadão como prioridade sempre, não era discurso de político. Quando tinha uma decisão difícil a tomar, e nesta jornada foram muitas, sempre pensava na população.

Dizia ele: “Mas como vou votar assim, não posso, minha consciência não permite, se eu fizer isso não vou conseguir dormir em paz.” Tive o privilégio de ouvir essa frase inúmeras vezes, sempre votava de acordo com sua consciência, Arolde sempre atuava pensando nas próximas gerações, nunca nas próximas eleições.

Com sua linda família Arolde criou o Grupo MK de Comunicação, há mais de 30 anos atuando para difundir a palavra de Deus. Neste empreendimento ele tinha um compromisso pessoal, levar a palavra de Deus a todas as pessoas. Sempre foi incansável neste objetivo, pensava cada detalhe da estratégia empresarial para ter sucesso e assim manter sua jornada e foco nas pessoas. Aqui sua esposa Yvelise e sua filha Marina sempre foram o alicerce para concretização do sonho.

Mesmo neste momento onde as palavras faltam eu tentei falar um pouco do Arolde estudante, do Arolde profissional, do Arolde político e do Arolde empresário, como ele mesmo dizia: “Fábio, eu tenho muitos chapéus, mas nunca me confundo quando estou atuando como empresário, eu sou empresário; quando estou tomando decisões na vida pública, eu sempre tiro o chapéu de empresário e coloco o de político.”

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Essa clareza sobre seu papel na sociedade era especial, sua integridade permitiu viver muita coisa, mas nunca se corromper. Era honrado e honesto, características que deveriam ser vistas apenas como pré-requisitos de vida, mas hoje, infelizmente, são percebidas como qualidade em nossa sociedade.

Agora eu gostaria de falar sobre outro Arolde, o amigo. Sempre foi uma pessoal afável e gentil, com todos, sem distinção. Lembro que uma das vezes que conversamos longamente sobre a vida eu perguntei a ele:

– Arolde como você faz para tomar uma decisão difícil, digo do ponto de vista espiritual, saber que a decisão é correta?

Ele disse:

– Preciso estar em paz. Sempre em paz, quando não tenho certeza se estou certo, não me permito tomar uma decisão onde meu coração esteja ou permaneça aflito.

Dentre tantos ensinamentos este ficou na memória e resolvi compartilhar aqui com os amigos.

Vai ser difícil, mas vamos seguir em frente, ele sempre nos ensinou a seguir em frente. Vai ser difícil nos momentos de aflição e também nos momentos simples da vida, amigo Arolde vai ser difícil eu almoçar uma rabada e não lembrar de você, comer um papaia de sobremesa ou seu famoso arroz carreteiro “dos pampas gaúchos, aquele lá de São José das Missões”.

Arolde tinha muita vontade de viver, essa vontade transparecia a todos que o conheciam. Deus sabe de todas as coisas, Ele está no controle de tudo. Meu amigo, obrigado por tudo, descanse em paz, na Glória de nosso Deus. Te amamos!

Fábio Guimarães é economista, formado pela UFRRJ com MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ. Palestrante, consultor e debatedor, atua há mais de 15 anos como gestor nos poderes Executivo e Legislativo, com ênfase nas áreas de trabalho, renda e desenvolvimento econômico.
* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.
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